Em oito temporadas, Game of Thrones deixou de ser só mais uma série da HBO e virou um acontecimento global. Nos EUA, saiu de uma média de cerca de 9,3 milhões de espectadores por episódio na 1ª temporada para algo em torno de 46 milhões no capítulo de despedida, somando diferentes plataformas. Segundo a HBO, também chegou a 207 países e territórios.
Nada disso veio do nada. A série montou, ano após ano, um ritual próprio: mortes arrasadoras, reviravoltas políticas, batalhas cada vez mais grandiosas e finais pensados para fazer o público passar meses debatendo cada detalhe da história.
Se Game of Thrones tinha uma assinatura fácil de reconhecer, era a coragem de matar personagens centrais sem qualquer aviso prévio. O primeiro grande choque veio com Ned Stark, ainda na 1ª temporada, e essa lógica seguiu, em escalas diferentes, até a morte de Daenerys Targaryen no último ano.
A impressão de que ninguém estava realmente protegido virou um dos grandes motores da série. Foi isso também que firmou sua fama de imprevisível. Havia outro padrão bem nítido no penúltimo episódio: nas primeiras temporadas, o episódio 9 quase sempre funcionava como o verdadeiro clímax do ano, concentrando o acontecimento mais brutal ou decisivo da narrativa.
Foi nesse espaço que surgiram momentos como o Casamento Vermelho e, depois, a Batalha dos Bastardos. Já o finale costumava assumir outro papel, mais de ressaca emocional, reorganização do tabuleiro e preparação para o próximo ciclo.
Os encerramentos de temporada também carregavam com clareza os ecos dos dois polos centrais da obra. Em vários finais, o fogo aparecia ligado aos Targaryen, aos dragões e ao avanço de poder de Daenerys.
Em outros, quem tomava conta da cena era o gelo, com os Stark, o Norte e a ameaça vinda de além da Muralha no centro de tudo. Isso reforçava o DNA da série até na construção temática dos episódios derradeiros. E o crescimento da produção aparecia também no orçamento: a 1ª temporada teria custado entre 50 e 60 milhões de dólares, enquanto a temporada final chegou a 15 milhões por episódio, segundo a HBO.
As gravações de Game of Thrones passaram por 10 países, entre eles Irlanda do Norte, Croácia, Islândia e Espanha, também de acordo com a HBO. Essa expansão ajudou a transformar Westeros em um dos universos mais ambiciosos já vistos na televisão. Só que o impacto da série não vinha apenas da escala. Ela foi amplamente elogiada pela forma como juntava personagens complexos a uma narrativa política densa, na qual decisões individuais eram atravessadas por estruturas sociais.
Era fantasia, claro. Mas operava com uma lógica de poder muito próxima da história e da sociologia.
Se quase toda temporada entregava um choque inesquecível, a 8ª ficou marcada por outro tipo de resposta: divisão. Muitos fãs e críticos apontaram um ritmo apressado e um desfecho menos satisfatório. Ficou a sensação de que, depois de ultrapassar os livros de George R.R. Martin, a série trocou parte do drama guiado pelos personagens por um foco maior no espetáculo.
Mesmo assim, a franquia continua de pé. House of the Dragon, lançada em 2022, já garantiu 3ª e 4ª temporadas, enquanto A Knight of the Seven Kingdoms segue em desenvolvimento, segundo a HBO. A continuação centrada em Jon Snow, por outro lado, teria sido engavetada.
Com altos e baixos, Westeros ainda é uma das propriedades mais valiosas e mais debatidas do entretenimento. E você, arrisca algum palpite?