Hasbro apresenta seu roadmap para 2027 de Dungeons & Dragons e ele é tão empolgante quanto preocupante

Neste fim de semana está acontecendo a Gen Con 2026 e, nela, foi realizado um evento muito importante para os fãs de Dungeons & Dragons: a Vision Keynote. Nesse evento, a Wizards of the Coast apresentou o futuro de Dungeons & Dragons para 2027, ao mesmo tempo em que delineou o que nos cabe esperar para o futuro do jogo até mesmo para além dessas datas. Mesmo se tudo o que soubemos a esse respeito foram algumas linhas mais vagas, como é natural.

E se normalmente esse tipo de evento é de pura celebração, desta vez eles deixaram uma mistura de sensações contraditórias. Embora haja muito a celebrar, também há coisas que é necessário ruminar e ver como se desenvolvem. O retorno a universos conhecidos e o anúncio de suplementos interessantes vêm acompanhados de alguns anúncios que aproximam Dungeons & Dragons das políticas editoriais recentes de Magic: The Gathering. E isso traz coisas que não necessariamente vão entusiasmar os jogadores.

Um retorno aos clássicos, inclusive os que você não conhecia

Um dos anúncios mais impactantes foi o de Dungeons & Dragons Icons. Marcando desse modo o retorno de universos tão queridos quanto Dragonlance ou Greyhawk, os fãs mais veteranos poderão enfim voltar ao que um dia foram os ícones mais relevantes de Dungeons & Dragons. Algo que inclui The Legend of Drizzt em uma campanha do elfo sombrio mais famoso da história.

Embora o retorno mais impactante tenha sido, sem dúvida, o de Dark Suns. Chamando-o de o mundo ao qual você sobrevive, não o mundo que você salva, já confirmaram uma das coisas mais importantes para seus fãs: ele não vai ser adequado para menores de 18 anos. Literalmente. Confirmando nudez, violência, sexo e linguagem chula, vamos voltar com tudo a um setting onde a brutalidade se esconde em cada esquina e, também, teremos psiônicos até o nível 20.

Por outro lado, isso não significa que abandonem todo o resto. Porque anunciaram que algumas empresas externas vão começar a trabalhar em livros de alguns de seus cenários mais conhecidos. Em 2027 veremos livros de Ravenloft da Ghostfire Gaming, de Eberron da Visionary Production Design e de Forgotten Realms da Kobold Press, buscando assim poder chegar a tudo a que hoje não podem chegar.

Porque, o que a própria Wizards of the Coast vai fazer em 2027? Trazer Azeroth para nós. Porque seu grande cenário do ano será uma série de livros adaptando o universo de World of Warcraft ao universo de Dungeons & Dragons. Já disponíveis para reserva, eles acrescentarão 11 novas espécies, 6 novas subclasses e 3 atualizadas, localizações icônicas do jogo e alguns dos personagens mais conhecidos do universo Warcraft.

Uma aproximação que pode ser problemática

Mas se algo anuncia a chegada de World of Warcraft a Dungeons & Dragons é algo ainda maior. E não falamos de Star Wars, que já anunciou que chegará em 2027 como o grande título estrela do ano. É a chegada dos Universe Beyond, livros de campanha baseados em IPs de terceiros. Fazendo colaborações com todo tipo de universos, não necessariamente sempre de fantasia, com os quais seguir expandindo o universo de Dungeons & Dragons.

Essa é uma aproximação que não despertou paixões porque Universe Beyond já existe em Magic: The Gathering, o outro grande jogo da Wizards of the Coast, e teve um resultado não muito positivo para o jogo. Fazendo com que a maior parte do que se produz para o jogo sejam colaborações, o grosso dos universos próprios ficou relegado a um segundo plano. Tendo como resultado coleções que muitas vezes não se encaixam no tom do jogo e que, além disso, passam a sensação de não ter qualidade suficiente para os padrões do jogo para grande parte do fandom.

Da parte da Wizards of the Coast, prometeram que, no caso de Dungeons & Dragons, tudo serão cartas de amor às franquias e a seus fandoms, mas também fizeram isso com Magic: The Gathering. E também admitiram estar cientes de que Universe Beyond não é popular entre os fãs do jogo, mesmo que isso não vá impedi-los de continuar lançando, pelo menos, tantas coleções quanto as de dentro do universo. Por isso é lógico que os fãs de Dungeons & Dragons reajam com ceticismo a essa aproximação.

Isso não significa que vá ser necessariamente ruim. Mas a Wizards of the Coast tem que demonstrar que vai tratar Dungeons & Dragons com carinho e que pode convencer seu público de que realmente Universe Beyond não vai afetar o trabalho que fizeram até hoje. Se conseguirem, então na Vision Keynote não houve nada além de boas notícias para o futuro. Mas enquanto soubermos o que vai acontecer, entre entusiasmo, certo ceticismo cobre os fãs do jogo e seu futuro.