Reacher, no Prime Video, chega à 4ª temporada com a melhor oportunidade que já teve de mexer na própria fórmula. Depois de três anos muito fortes na plataforma, a série parece finalmente perto da virada que parte do público pede faz tempo: sair do mecanismo em que Jack Reacher pisa numa cidade nova, esbarra numa conspiração local e, no fim das contas, descobre que tudo tinha ligação direta com algum pedaço do seu passado.
Gone Tomorrow, já confirmado pelo Prime Video como base do próximo ano, aponta nessa direção. A história deve jogar o protagonista numa trama em que ele entra quase por acaso, em vez de repetir mais um mistério movido por acerto de contas, trauma antigo ou vingança pessoal.
Até aqui, as três primeiras temporadas seguiram com boa fidelidade um padrão que aparece em vários livros de Lee Child. Reacher surge num lugar novo, saca que tem algo errado, entra na investigação e, mais cedo ou mais tarde, encontra uma conexão pessoal escondida no centro da missão.
Esse modelo funcionou muito bem no começo, sobretudo na 1ª temporada, quando a morte do irmão do protagonista dava um peso emocional real à história. Na 2ª, o assassinato de antigos colegas militares puxou o mesmo gatilho outra vez. Só que há um limite: quando quase todo grande caso acaba amarrado ao passado do personagem, a surpresa vai sumindo para quem acompanha a série há mais tempo.
É por isso que a 4ª temporada soa tão promissora. Em Gone Tomorrow, Reacher presencia um acontecimento suspeito no metrô e acaba arrastado para uma investigação mais tortuosa, menos presa à sua vida pessoal.
A versão para a TV ainda vai mexer bastante no material, segundo o Prime Video. A trama deixa Nova York e vai para a Filadélfia, além de atualizar os antagonistas. Um ambiente mais urbano pode dar outra energia à série e puxar para frente algo que sempre esteve no personagem: esse senso quase instintivo de justiça.
Sem uma motivação pessoal ditando tudo, fica mais fácil enxergar outra face do herói vivido por Alan Ritchson. É alguém que entra em cena porque acha que precisa entrar, não só porque foi atingido diretamente.
Mesmo com essa conversa sobre repetição, Reacher segue enorme para o Prime Video. A 3ª temporada virou a temporada de retorno mais assistida da plataforma nos primeiros 19 dias, e 56% da audiência veio de fora dos Estados Unidos, com Reino Unido, Alemanha e Brasil entre os destaques, segundo o Prime Video.
Esses números ajudam a entender por que a Amazon renovou a série para a 5ª temporada antes mesmo da estreia da 4ª, com filmagens marcadas para começar em julho de 2026, de acordo com o Prime Video. O universo da franquia também vai crescer com um spin-off de Neagley, sinal claro de que a empresa vê Reacher como uma marca para o longo prazo.
Ainda assim, a discussão sobre para onde a narrativa vai daqui em diante continua aberta. Há fãs que preferem o formato fechado e mais fiel aos livros; outros gostariam de ver uma continuidade maior entre as temporadas. Já circulam especulações de que a 5ª temporada possa testar arcos mais amplos, talvez misturando ideias de mais de um livro.
Se isso de fato acontecer, a mudança será ainda mais profunda. Antes de chegar lá, porém, a 4ª temporada já pode mostrar que Reacher não precisa voltar sempre ao próprio passado para seguir relevante. E aí, qual é o seu palpite?