A Anthropic disse que espera restabelecer nos próximos dias o acesso aos modelos Fable 5 e Mythos 5. Os dois estão fora do ar no mundo inteiro desde 12 de junho de 2026, depois de uma ordem do Departamento de Comércio dos EUA. Pela versão da empresa, as conversas com as autoridades americanas avançaram, e a expectativa é que a interrupção dure pouco.
Pelo que a própria Anthropic informou, e pelo que saiu na imprensa, a suspensão começou em 12 de junho de 2026, só três dias depois do lançamento. Naquele momento, o Departamento de Comércio mandou que a companhia impedisse o uso dos dois modelos por cidadãos estrangeiros, alegando preocupações de segurança nacional. Como a Anthropic afirmou que não tinha como confirmar com segurança a nacionalidade de todos os usuários, preferiu desligar os serviços para todo mundo.
Os dois produtos envolvidos no caso têm perfis bem diferentes. O Mythos 5 pertence à linha “Mythos”, é liberado de forma restrita para parceiros já aprovados e foi pensado para tarefas especializadas de cibersegurança. Já o Fable 5 é a versão pública, com camadas extras de segurança para reduzir o risco de uso indevido.
As reportagens publicadas nos últimos dias apontam para dois motivos por trás da decisão de Washington. O primeiro foi uma vulnerabilidade do tipo “jailbreak” identificada por pesquisadores da Amazon no Fable 5, que, em certos cenários, supostamente permitiria driblar algumas barreiras do sistema. O segundo envolve a suspeita de que a sul-coreana SK Telecom teria acessado o Mythos 5 por meio do Project Glasswing, num contexto em que partes do governo americano levantaram dúvidas sobre possíveis conexões indiretas com a China.
A Anthropic rebate essa interpretação. Classificou a ação do governo como fruto de um mal-entendido e sustenta que a falha reportada é limitada, além de dizer que problemas parecidos existem em outros sistemas comerciais amplamente disponíveis. As reportagens também indicam que a empresa está falando com a Casa Branca para tentar destravar o impasse.
O trecho mais dramático de toda a história foi a decisão de cortar o acesso de todos os usuários, não só de estrangeiros. A justificativa da Anthropic foi operacional: a empresa afirmou que não dispunha de um mecanismo confiável para separar, em tempo real, quem poderia continuar usando os modelos e quem teria de ser bloqueado, sem correr o risco de violar a ordem americana. No fim, uma restrição que seria direcionada virou um apagão global. E pegou clientes, parceiros e desenvolvedores que já tinham começado a testar os lançamentos.
Pelo que saiu até agora em reportagens e análises, o caso já é tratado como algo que pode entrar para a história. Ao que tudo indica, seria a primeira vez que os EUA recorrem a controles de exportação para limitar o acesso a um modelo desse tipo. Até aqui, esse tipo de instrumento regulatório era usado sobretudo em hardware, com destaque para semicondutores.
A medida também recolocou no centro a discussão sobre soberania tecnológica. Em países como a Coreia do Sul, o episódio aumentou o desconforto com a dependência de fornecedores americanos e acendeu o receio de que restrições mais duras empurrem usuários internacionais para alternativas locais ou de código aberto. Se a restauração prometida pela Anthropic sair mesmo nos próximos dias, o bloqueio pode acabar sendo curto. Ainda assim, o episódio já deixou uma coisa evidente: a disputa geopolítica em torno desses modelos entrou em outra fase.