Segundo a Snap, dona do Snapchat, a empresa acaba de tirar do papel a Dotmo, uma nova companhia montada a partir da equipe interna de vídeo generativo da própria Snap.
A Dotmo será formada por funcionários que hoje ainda estão na Snap e que vão deixar a empresa-mãe para tocar o desenvolvimento do produto com independência. É mais um passo de reorganização, com a companhia tentando cortar custos e ganhar velocidade numa área cara e disputada até o limite. Mesmo fora da estrutura principal, a nova operação seguirá perto da Snap, que, de acordo com a empresa, continuará exposta ao potencial de crescimento do projeto.
O motivo central para essa separação, segundo a Snap, é dinheiro.
Criar tecnologia própria de geração de vídeo pede times especializados, muita capacidade computacional e ciclos longos de pesquisa. Tudo isso pesa nas despesas fixas. Ao tirar essa unidade do balanço direto, a Snap reduz headcount e uma parte dos custos de desenvolvimento, sem abrir mão por completo de um possível retorno lá na frente.
O desenho escolhido mantém laços estratégicos. Segundo a Snap, a empresa vai licenciar sua tecnologia para a Dotmo em aplicações ligadas a games e entretenimento interativo e, em troca, ficará com uma fatia acionária relevante na nova companhia. Na prática, a controladora troca custo operacional direto por uma mistura de parceria comercial com aposta societária.
A Dotmo não está sendo criada para atender só aos usos mais tradicionais das redes sociais.
A ideia é que a nova empresa desenvolva modelos de vídeo voltados para experiências interativas, sobretudo em jogos e plataformas de entretenimento. A tese parece fazer sentido num mercado que corre atrás de formatos mais imersivos, personagens dinâmicos e mundos digitais capazes de responder em tempo real ao usuário. Em vez de ficar restrita a filtros, lentes e ferramentas sociais, essa tecnologia pode ir parar em experiências jogáveis e em narrativas bem mais amplas.
Outro ponto que chama atenção é o papel de Bobby Murphy. Segundo a Snap, o CTO da empresa será o principal investidor pessoa física da Dotmo e, ao mesmo tempo, seguirá em tempo integral no comando técnico da Snap. A Snap, por sua vez, não deve colocar capital diretamente na nova companhia.
Esse arranjo já levantou dúvidas sobre governança e possível conflito de interesses.
Analistas e comentaristas observam que Bobby Murphy continua à frente de áreas estratégicas da Snap enquanto também passa a ter interesse financeiro pessoal na spin-off. Até aqui, quase não há detalhes públicos sobre salvaguardas, regras de supervisão ou mecanismos capazes de separar as decisões da Snap das decisões da nova empresa.
A criação da Dotmo também não surge sozinha. Segundo a Snap, em 2026 a empresa já havia separado seu negócio de óculos inteligentes em outra operação, a Specs, e, no começo do ano, a companhia também demitiu cerca de 1.000 funcionários em meio à pressão por eficiência e à realocação de recursos para novas frentes tecnológicas. Com a Dotmo, a Snap deixa mais evidente uma estratégia que vem ganhando forma: manter participação em apostas promissoras, mas em estruturas mais enxutas e fora da operação principal.
Agora resta ver se esse modelo vai mesmo acelerar a inovação sem aumentar ainda mais a discussão sobre transparência e governança. E você, arrisca algum palpite?