A Bloomberg trouxe um dado que faz a Z.ai entrar de vez no radar. A startup chinesa de inteligência artificial, conhecida até pouco tempo como Zhipu, está no caminho para se tornar a primeira empresa independente do setor na China a bater algo em torno de 1 bilhão em vendas anuais.
Esse número chama atenção por um motivo simples: a Z.ai oferece em código aberto, de graça, justamente os seus modelos mais avançados. Há um porém. A própria Bloomberg observa que ainda se trata de uma projeção e que essa conta inclui, em parte, receita recorrente anualizada, não só dinheiro já efetivamente faturado.
Ainda assim, o ritmo impressiona.
A empresa já aparece entre os nomes mais fortes dessa nova leva de laboratórios chineses.
A estratégia da Z.ai foge do roteiro seguido por boa parte das concorrentes globais. Enquanto muitas guardam seus sistemas mais poderosos atrás de planos caros, a companhia libera modelos como o GLM-5.2 de forma aberta e gratuita.
A monetização vem de outro lado: acesso em nuvem, uso via plataforma, projetos de customização para grandes clientes, suporte técnico e instalações locais dentro das empresas. Na leitura da Z.ai, abrir os modelos sem cobrança ajuda a espalhar a adoção, fortalece seu ecossistema e, depois, puxa demanda paga no mercado corporativo. Até aqui, a aposta tem dado sinais de que faz sentido.
Os números citados pela Bloomberg ajudam a entender por quê. Em 2025, a Z.ai registrou receita de 724 milhões de yuans, algo perto de 100 milhões, o que representa um salto de 131,9% na comparação anual. Já as projeções do JPMorgan apontam para cerca de 4,6 bilhões de yuans em 2026 e 30,9 bilhões de yuans em 2028.
Um dos motores mais fortes desse avanço é a plataforma aberta da empresa. Segundo a Bloomberg, a receita recorrente anualizada dessa divisão chegou a 1,7 bilhão de yuans, cerca de 60 vezes acima do nível de um ano antes.
Também há sinais claros de tração nas APIs. A Bloomberg diz que o uso subiu 400% mesmo depois de um reajuste de preços de 83% no primeiro trimestre de 2026. Ao mesmo tempo, a maior parte do faturamento ainda segue bastante concentrada no mercado corporativo mais tradicional.
A dependência aparece nos detalhes. De acordo com a Bloomberg, 73,7% da receita de 2025 da Z.ai veio de implantações locais para estatais e instituições financeiras. Isso mostra força comercial em setores com orçamento pesado, mas também revela o quanto a empresa ainda depende de compradores ligados ao Estado.
Receita em alta, porém, não quer dizer operação equilibrada.
A Bloomberg afirma que a Z.ai continua no vermelho, e com perdas maiores. Em 2025, o prejuízo líquido teria chegado a 4,72 bilhões de yuans. A expectativa do JPMorgan é que a companhia só alcance lucratividade em 2028.
Mesmo assim, o caso da Z.ai já começa a despertar interesse fora da China porque mexe com uma ideia bastante repetida no setor: a de que só modelos fechados conseguem se transformar em negócio de verdade. Num mercado ainda marcado por gastos gigantescos e retorno nebuloso, a startup sugere outro caminho, baseado em distribuição ampla, serviços para empresas e escala comercial.
Isso não torna o cenário mais fácil. A disputa está longe de ser tranquila, com DeepSeek, Moonshot AI, MiniMax, Alibaba e ByteDance brigando espaço em um mercado famoso por suas guerras de preço. Ao mesmo tempo, a Z.ai acelera sua presença internacional, com escritórios no Oriente Médio, em Singapura, no Reino Unido e na Malásia, enquanto o fundador Tang Jie dá sinais de um foco cada vez maior em pesquisa de longo prazo.
E aí, qual é o seu palpite?