A Sony colocou o DAT (Digital Audio Tape) no mercado em 1987 cercado de ambição. Era pequeno, tinha visual de coisa nova e vinha com uma promessa sedutora para o áudio doméstico: virar o sucessor digital da fita cassete, com gravação em qualidade de CD para quem queria ouvir e gravar música em casa.
Só que esse futuro não desembarcou de verdade na casa do consumidor comum. O formato empacou nas lojas, custava caro demais para o grande público e ainda bateu de frente com a indústria musical, que morria de medo de ver cópias digitais perfeitas se espalhando por aí.
No fim das contas, o DAT não vingou como mídia de massa. Acabou achando um destino mais rentável , e bem mais duradouro, dentro dos departamentos de TI.
No papel, a ideia fazia todo sentido: pegar a praticidade da cassete e juntar isso ao áudio digital limpo, sem chiado e sem a perda de qualidade típica das fitas analógicas. Para o fim dos anos 1980, era uma proposta forte.
Aí vieram os problemas. Os primeiros aparelhos chegaram com preços altos, o que por si só já freava a adoção. Ao mesmo tempo, o setor fonográfico pressionava contra o formato por medo da pirataria, e muitos decks voltados ao consumidor passaram a sair com SCMS, um sistema de proteção que limitava cópias digitais em cascata.
Com isso, o DAT perdeu muito do apelo justamente entre as pessoas que precisavam comprá-lo para o formato decolar. Ainda assim, a tecnologia caiu nas graças dos profissionais de áudio. Em estúdios, servia para gravação, masterização e transporte de material, porque entregava clareza digital, portabilidade e mais praticidade do que sistemas maiores, como certos gravadores de rolo.
Durante alguns anos, o formato virou presença comum em ambientes profissionais. Na sala de estar, não.
A virada de verdade aconteceu quando a base tecnológica do DAT foi reaproveitada como DDS, sigla para Digital Data Storage. No lugar de música, aquelas fitinhas passaram a guardar dados de servidores. E fizeram esse trabalho muito bem ao longo dos anos 1990.
Para ter uma noção, segundo a Sony, a primeira geração do DDS armazenava cerca de 2 GB sem compressão. No fim da década, o DDS-4 já chegava a 20 GB. Para muita empresa daquela época, isso tinha um valor enorme: permitia fazer backups noturnos completos em uma única fita compacta, sem precisar partir para soluções maiores e mais caras.
O tamanho também jogava a favor. As fitas eram leves, fáceis de etiquetar e simples de levar para fora do escritório, algo essencial em esquemas de rotação e recuperação de desastres. Antes de redes rápidas virarem padrão e antes da popularização da nuvem, levar uma fita para um cofre externo fazia parte da rotina de proteção de dados.
Só que os volumes de dados cresceram rápido demais, e o DDS acabou ficando pequeno. Formatos com mais capacidade e mais fôlego, como o DLT (Digital Linear Tape) e depois o LTO (Linear Tape-Open), tomaram a dianteira no backup corporativo. A própria Sony descontinuou suas últimas máquinas DAT em 2005.
Ainda hoje, a trajetória do DAT ajuda a entender por que a fita nunca sumiu de vez. O DDS já ficou para trás, mas o armazenamento em fita segue relevante em certos nichos de backup, porque cópias offline e isoladas da rede, as chamadas cópias air-gapped, continuam sendo uma defesa importante contra ransomware e outros ataques.
Hoje o LTO manda nesse mercado. A lógica, porém, continua a mesma: às vezes, uma tecnologia que fracassa dentro de casa encontra sua vocação real no servidor.