A encerrou o Force Touch no Apple Watch quando lançou o watchOS 7. O recurso permitia apertar a tela do relógio com mais pressão para abrir ações contextuais, e saiu de cena de forma discreta, sem alarde. A mudança também não ficou restrita aos modelos novos: até relógios antigos, que ainda traziam o hardware necessário, perderam a função depois da atualização. Para muita gente, foi uma surpresa. E mexeu direto com atalhos rápidos que já faziam parte do uso diário.
Na prática, o Force Touch servia para isso mesmo: pressionar a tela com mais força e chamar ações escondidas, como apagar todas as notificações ou trocar o tipo de visualização em alguns apps com um gesto só. Com o watchOS 7, a Apple desligou esse tipo de interação no sistema inteiro. Tarefas que antes saíam em um passo passaram a pedir toques extras, entrada em menus ou botões visíveis na interface.
O ponto mais curioso é que a Apple quase não chamou atenção para essa decisão durante a apresentação do watchOS 7. A mudança apareceu de forma mais clara nas próprias diretrizes de interface da empresa, que passaram a orientar desenvolvedores a levar ações escondidas para áreas visíveis, como telas de ajustes e menus. A retirada do Force Touch no Apple Watch também acompanhou um movimento maior da Apple de abandonar interações baseadas em pressão. No iPhone, essa virada já tinha começado com a saída gradual do 3D Touch a partir do iPhone XR, em 2018, substituído pelo Haptic Touch, uma solução baseada em software e no toque prolongado. No Apple Watch, porém, não apareceu um substituto universal do mesmo tipo. E isso pesa no uso real: no iPhone, boa parte dos atalhos continuou existindo, só que com outra lógica. No relógio, sumiu uma camada inteira de interação, sem uma alternativa sistêmica realmente clara.
Executivos da Apple explicaram depois que as telas maiores do Apple Watch diminuíram a necessidade de esconder comandos atrás de um gesto por pressão, já que, com mais espaço, faria mais sentido mostrar botões e opções diretamente na interface. Do ponto de vista do design, dá para entender o argumento. O Force Touch sempre teve um problema de descobrimento, e muita gente nem sabia que ele estava ali. Havia ainda a dificuldade, para desenvolvedores, de implementar a função de maneira consistente entre apps e contextos diferentes. Mesmo assim, a decisão nunca foi exatamente pacífica. Os críticos lembram que o Force Touch entregava uma interação tátil, rápida e eficiente, especialmente útil em acessibilidade e em ações repetidas do dia a dia.
Anos depois, os efeitos de longo prazo ainda são pouco discutidos, e segue faltando uma leitura mais clara de como essa remoção afetou o design dos apps, a satisfação dos usuários e até possíveis ganhos de hardware, como bateria, durabilidade ou reparabilidade. O que já dá para cravar é o seguinte: o fim do Force Touch mudou, em silêncio, a filosofia de uso do Apple Watch. Menos gestos ocultos, mais controles visíveis. Um relógio mais simples para alguns, e menos ágil para outros.