Andrew Garfield volta a negar a Marvel: diz que não viu ‘Spider-man: Brand New Day’

Andrew Garfield disse agora que ainda não viu Spider-man: Brand New Day e tentou passar a impressão de que, neste momento, está completamente longe da franquia da Marvel Studios.

Disney+ Download

Todo mundo já conhece o roteiro quando o assunto são os atores da Marvel. Primeiro, vem o juramento solene de que a pessoa não estará no próximo filme. Depois, ela aparece, e a parte mais inocente do público solta um “Ah, que surpresa! Mas ele disse que não estaria!”. Essa cartilha já foi usada incontáveis vezes e, desta vez, coube ao bom e velho Andrew Garfield sustentar a ideia de que, por enquanto, está totalmente fora da franquia da Marvel Studios. Sim, claro. Piscadinha, piscadinha.

Spider-o quê? Não me diz nada

Em defesa dele, também dá para dizer que Andrew Garfield não entrou na briga entre A Odisseia e Spider-man: Brand New Day, porque também não viu o primeiro, ou pelo menos é isso que garante: “Não quero parecer falso. O fato de um filme fazer dinheiro e as pessoas irem assistir é algo incrível, mas vou falar mais quando eu vir Spider-man , que estou louco para assistir**. E também não consegui ver A Odisseia. Vou mandar uma mensagem para Tom Holland quando eu vir o trabalho que ele fez”.

Cada um acredita no que quiser, mas, segundo Andrew Garfield, ele não apenas não viu esses filmes como também não devemos vê-lo tão cedo nas telas em nada além de The Uprising.

“Eu não estou em Vingadores: Doomsday”, repetiu Andrew Garfield pela enésima vez diante de um público que sabe muito bem que, se não for nesse, então será em Vingadores: Secret Wars. Porque, convenhamos, aquela cena pós-créditos de Brand New Day queria dizer alguma coisa, não queria?

Depois que começou a circular a informação de que a Marvel Studios está filmando cenas extras de Vingadores: Doomsday para enfiar, literalmente, ainda mais cameos… ainda dá mesmo para acreditar que Andrew Garfield abriu mão de um belo cheque por um único dia de gravação? Esse é o melhor e o pior lado da Marvel: eles são tão bons nesse jogo do mistério, que já deixaram todo mundo incapaz de acreditar em qualquer coisa.

Nem tudo está definido em ‘Vingadores: Secret Wars’. Acabaram de contratar um ator surpresa e ninguém sabe o que ele vai fazer

O nome de Noah Jupe te diz alguma coisa? O mais provável é que não. Mas talvez te diga mais se eu te disser que ele é o menino de Um Lugar Silencioso, que também apareceu em A Morte de Robin Hood, Hamnet (ele era Hamlet, na verdade) ou Ford vs Ferrari. Era questão de tempo até que a Marvel, sempre atenta a canibalizar talento, cravasse as garras nele.

Disney+ Download

Unknown Man

Ainda não sabemos qual personagem do UCM ele vai interpretar, mas sabemos qual será seu filme de estreia: Vingadores: Secret Wars, onde, a princípio, ele vai se juntar em algum “mundo de batalha” a um grupúsculo de heróis (ao menos, se seguirem a trama do quadrinho original). Alguns acreditam que ele poderia ser o Todo-Poderoso, misturando diferentes fases de Secret Wars, mas são só especulações.

É preciso levar em conta que Jupe só tem 21 anos agora mesmo, então, embora alguns apontem que ele poderia ser Franklin Richards, a verdade é que é difícil: Franklin, o filho de Sue Storm e Reed Richards, nunca chegou a essa idade nos quadrinhos salvo em universos alternativos e saltos temporais. Ainda assim, há uma pista a favor dessa possibilidade: segundo sua conta no Letterboxd, ele viu várias vezes nos últimos dias O Quarteto Fantástico. Pode ser que ele seja muito fã… ou que esteja escondendo algo mais.

Por enquanto pouco mais sabemos do novo dos Russo, além de que acabou de começar a ser filmado… e que aponta, pra que negar, para ser o filme de maior bilheteria da história do cinema. Make Noah Jupe Marvel!

George Clooney e Tom Cruise, enfrentados pela fusão entre Warner e Paramount

A fusão entre Warner e Paramount está levantando polêmica em Hollywood entre os que querem que essa agonia se resolva logo, nem que seja vendendo os direitos de dezenas de franquias para uma empresa liderada por um milionário com tendências fascistas, e os que acham que vale a pena lutar. A verdade é que, em 30 de setembro, David Ellison terá que começar a pagar 7 milhões por dia à Warner até que possam assinar o acordo, que podem chegar a 7 bilhões se no fim não conseguirem fazê-lo por questões jurídicas. Seria preciso ser muito ingênuo para não querer ver uma coisa dessas.

Se vocês se gostam, pô, se peguem

O exemplo paradigmático do ator a favor do acordo é Tom Cruise, a quem isso convém: de fato, ele acabou de anunciar as filmagens de Dias de Trovão 2 e está convencido de que a coisa vai ser positiva para o futuro de Hollywood: “Acho que é incrível. **Eles vão fazer 30 filmes por ano: para mim é uma comunidade, não uma indústria**. As pessoas nesses estúdios não são só pessoas nos estúdios. São minha família. Sei que vamos ter esses 30 filmes. Quero que nos unamos como comunidade para ajudar a fazê-los. Não vai ser só a Paramount que vai fazer isso: vai ser necessária a ajuda de cada artista para poder fazê-los”. Aí você vê o quanto confia no bom do Tom.

Do lado oposto está George Clooney, que há anos vive na Europa afastado das confusões americanas, e que em pleno festival de Veneza não só apoiou Mark Ruffalo, que foi acusado de antissemita por falar contra a fusão, como também advertiu: Não vejo como a fusão vai fazer sentido financeiro para as pessoas que estão tentando concretizá-la. Vamos ver. Sempre me preocupo quando uma empresa grande absorve outra. Sempre me preocupo porque isso significa que muita gente vai perder o emprego”.

Dias de Trovão. Verão de 2028. pic.twitter.com/rD3QLXfUyi

— Tom Cruise (@TomCruise) 29 de agosto de 2026

Quem tem razão? Neste caso, é possível que os dois tenham. Provavelmente nos primeiros anos eles vão se preocupar em fazer 30 filmes, nem que seja para salvar a própria pele, mas milhares de pessoas vão perder o emprego no caminho, porque há cargos que vão se repetir e acabam sendo inúteis. Ainda assim, o novelão está longe de terminar, e tudo aponta para que vejamos a resolução em 2027. A esta altura, se for um final divertido e o milionário levar um balde d’água na cabeça, já me dou por satisfeito.

A nova ‘Harry Potter’ já sabe como vai se diferenciar das anteriores: a varinha é nova

Há uma gag de Os Simpsons, acertadíssima (como sempre em suas primeiras temporadas), em que Lisa lança sua própria boneca, só para ser engolida pela Stacy Malibu de sempre, que é absolutamente igual mas tem um chapéu novo. A mesma coisa vai acontecer com Harry Potter, uma série que não se arrisca a mudar nem um milímetro dos filmes por via das dúvidas, mas que as pessoas vão ver porque Harry tem uma varinha nova.

Expecto mesmorum

Os millennials mais chatos do mundo estão empolgadíssimos com o novo trailer de Harry Potter, que basicamente repete as cenas mais famosas de A Pedra Filosofal (O Salão Principal! O Expresso de Hogwarts! O Chapéu Seletor! O quadribol!), podendo trocar seus planos perfeitamente pelos do filme de Chris Columbus. Porque na HBO sabem exatamente o que querem ver: o mesmo. Uma e outra vez. Sem parar.

Mas desta vez, Harry tem uma varinha nova que parece infinitamente mais molenga e genérica do que a dos filmes. É a isso que têm que se agarrar para justificar a existência deste remake que tem muitíssimos mais problemas do que o ator que interpreta Severo Snape, por mais que alguns tenham se empenhado em destacar isso, como se capitalizar a nostalgia tivesse um único limite: o racismo.

Se você continua sendo fã de Harry Potter sem se importar com os disparates de JK Rowling nem com o copia e cola quase digno de IA, espero que você curta muito esta série. Sem dúvida, vai ser um sucesso: com sorte, o último desta moda absurda de renovar tudo o que tenha um fiapo de pura nostalgia fácil.

‘Bob Esponja’ e ‘One Piece’ terão um crossover. Ninguém pediu por isso, mas em 2026 vale tudo.

Fala-se muito do quão longevo é One Piece, mas a verdade é que Bob Esponja está conosco há ainda mais tempo: estreou na Nickelodeon três meses antes do anime do Luffy e sua turma, embora (diga-se) tenha um quarto dos episódios: 342 contra 1176 e contando. Era só questão de tempo até que esses dois titãs da animação, reconhecidos ao redor de todo o globo, se juntassem num crossover impossível.

Crunchyroll Download

Quem vive no abacaxi debaixo do mar? Monkey D. Luffy!

Eles não vão fazer isso num episódio especial nem num filme para os cinemas, mas sim numa colaboração para o McDonald’s em vários países… entre os quais o Japão não está, por algum motivo. Ao que parece, não chegaram a um acordo de licenciamento, e é estranho, porque se trata de uma das coisas mais japonesas possíveis. Algo kawaii misturado com One Piece? Se você der uma volta por Tóquio vai ver que é a tônica habitual.

A coleção, disponível nos Happy Meals desde 15 de setembro, traz Bob Esponja como Luffy (tanto normal quanto em Gear 5), Patrick como Zoro, Plankton como Usopp, Sandy como Nami, Gary como Chopper, Lula Molusco como Sanji, Pérola como Robin, Larry como Franky, Smitty como Brook e o Seu Siriguejo como Jinbe. Como vocês veem, no fim eles já estavam ficando sem personagens, mas apesar disso chegaram a 15 apelando para misturas estranhas como o Holandês Voador como Barba Negra e o Homem-Sereia como Garp. Vai ser um baita sucesso, né?

entramos de verdade na grande era do Happy Meal. Bob Esponja x One Piece chega em 15/9 pic.twitter.com/W4sT4KhulZ

— McDonald’s (@McDonalds) 31 de agosto de 2026

É bem incrível, na verdade. E levando em conta que agora mesmo no menu infantil de meio mundo estão distribuindo um crossover entre Hello Kitty e Godzilla, claramente chegaram à conclusão definitiva: para vender mais hambúrgueres, é preciso mais crossovers impossíveis. Assim qualquer um vende um produto de qualidade questionável.

‘Praticamente magia 2’ vai ser um sucesso, mas Sandra Bullock não esquece: ninguém foi ver o primeiro.

A nostalgia pelo fim dos anos 90 e o começo dos anos 2000 está pegando forte em Hollywood. Tanto, que até filmes que foram um fracasso retumbante em sua época agora vão voltar convertidos em sucessos. É o caso de Da Magia à Sedução 2, cujos ingressos antecipados estão indo tão bem que já antecipam um primeiro fim de semana que superará os 40 milhões de dólares só nos Estados Unidos. Levando em conta que a primeira parte mal passou dos 68 milhões e perdeu dinheiro a rodo, faz pensar.

IMDb Download

Abracadabra na bilheteria!

Recebido em seu tempo com frieza, Da Magia à Sedução foi ganhando status cult com o passar dos anos até chegar à atualidade, em que, obviamente, toda uma geração parece adorá-la sem cerimônia. No entanto, Sandra Bullock não esquece: “Pensamos ‘Vai ser um filme incrível, as pessoas vão adorar. E então, o silêncio. Diziam pra gente ‘De quantas mulheres vocês precisam num filme? De quantos tons vocês precisam? Que tipo de filme é esse?‘”.

Quem não vai desfrutar desse sucesso é seu diretor, e isso continua doendo na atriz: “Tem uma coisa que eu quero trazer à tona o tempo todo: Griffin Dunne criou esse mundo conosco. Nos deixou brilhar. É por causa dele que este filme existe, e ele nunca chegou a sentir o cheiro das flores do sucesso quando o fizemos, então hoje estamos homenageando-o”. Conste que lhe ofereceram dirigi-la, mas ele recusou porque tinha certeza de que precisava de um toque feminino: o de Susanne Bier, concretamente.

Passaram-se quase 30 anos desde aquela primeira parte, e claramente este é o momento adequado para voltar. Vai ser preciso ver, claro, seu orçamento, para saber se a bilheteria correspondeu ou, pelo contrário, se foi um fracasso ainda maior que o da primeira parte. Isso nem uma boa varada de condão conseguiria resolver para fazer uma hipotética terceira parte.

Se você é uma criança dos anos 80, o filme que Adam Wingard vem preparando há anos vai te injetar nostalgia na veia

Se você ouve alguém cantarolar “Thunder, thunder, thunder…” e só consegue pensar “Thundercats!”, tenho duas notícias para você. A primeira, que é bom já ir marcando consulta com o médico para um check-up geral. A segunda, que Adam Wingard, autor de Você é o Próximo e Godzilla vs Kong, vem há anos preparando a adaptação definitiva da série animada dos anos 80 para o cinema. Ninguém comprou o projeto dele até o momento, mas ele acha que é questão de tempo.

Mostrando as garras

Caso você tenha menos de 40 anos (como você ousa?), Thundercats foi uma série de 1985 protagonizada por um grupo de heróis alienígenas felinos vagando pelo espaço. Foram 5 temporadas e 130 episódios que, para muitos, definiram o épico nos anos 80. Depois tentaram repetir o fenômeno em 2011 e 2020, mas sem muito sucesso. No entanto, Wingard está convencido de que este é o momento de apostar centenas de milhões na franquia.

“Minha carreira está dando saltos, então outras coisas tiveram preferência. Mas Thundercats continua aí. Acho que é uma questão de encontrar tempo para me reconcentrar e me reconectar com ela”. Além disso, ele afirma que fizeram um novo pitch no começo do ano, o que, para um cineasta como ele, renomado em Hollywood, deveria ser sinônimo de encontrar financiamento o quanto antes.

Além disso, ele está convencido de que algum dia vamos vê-la: “Não tenho nenhuma atualização empolgante, mas não está morta. Está viva. Simplesmente não é no que estou trabalhando agora mesmo”. Dito de outra forma: se a nostalgia dos anos 80 voltar, não se preocupe, porque estaremos lá, com tudo, com Lion-O e seus companheiros.

Gal Gadot vai protagonizar um filme sobre criptomoedas feito por IA, e está orgulhosa disso

“Se você não entra no bonde fica pra trás porque isso já é o presente” é algo que vêm nos dizendo há anos sobre a IA, batendo na mesma tecla que, na época, bateram com os NFT. Só que neste caso estamos vendo os resultados no mundo real: cartazes feíssimos, anúncios horrorosos, efeitos especiais toscos (olho em A Odisseia que a The Asylum lançou) e livros feitos pela lei do mínimo esforço. A parte boa? Estamos a dois dias de a mão humana voltar a ser valorizada. Ou é o que todos esperamos, menos a Gal Gadot.

Gal Gadot, no eixo do mal

Independentemente de como você se dê com a Gal Gadot, o certo é que a história do último filme dela é de fazer levantar não uma, mas várias sobrancelhas em uníssono. A atriz protagonizará Bitcoin, o novo de Doug Liman (A Identidade Bourne, No Limite do Amanhã) que será uma sátira em que virá acompanhada de intérpretes do calibre de Casey Affleck, Isla Fisher ou Pete Davidson. Até aí tudo bem: o problema é que o filme terá IA a rodo.

Metade de Hollywood se rendeu em alta velocidade à inteligência artificial, e ainda estão tentando descobrir qual é a mistura exata para que o público não se importe. Nesse caso, a IA criará os sets de filmagem e a iluminação, porque foi rodado num espaço totalmente vazio. Isso sim, custou 70 milhões de dólares. Segundo seu produtor, teriam sido mais 130 milhões se tivessem usado design de produção e iluminação. Se você leu isso assentindo, volte a ler: nenhum filme gasta 130 milhões com seu design e iluminação. Nenhum. É vender fumaça ao maior interessado.

Nesse caso, a melhor compradora é Gadot, que afirmou que é o contrato mais longo que já assinou, e que precisou de meio ano com seus advogados olhando cada ponto por causa da IA. Eu não queria que a IA tivesse nada a ver com a minha atuação. Tínhamos que proteger isso. Quanto à atuação, ela é totalmente minha”. Podemos jogar no lixo o trabalho de iluminadores, artistas e designers de produção desde que não mexam no que é meu. Ai.

“Tenho medo da IA, mas vou olhar para o outro lado? Não. Tenho medo mas estou brincando com ela, aprendendo e tentando me educar. O trem já saiu da estação. Você vai trabalhar com ela ou ficar completamente fora do jogo. Estou tentando fazer isso o melhor que posso e proteger o que puder. Tá, que é o presente, que você tem que se adaptar, todas essas coisas. Estamos há quatro anos ouvindo isso todos os dias… E no fim, será o público quem decidirá. Com sorte, sem tirar o trabalho de ninguém.

Nem ‘Fast & Furious’ nem ‘O Motim’: os dois melhores filmes de Jason Statham são os primeiros que ele fez

Qual é o seu filme favorito do Jason Statham: aquele em que ele se infiltra num prédio buscando vingança, dando porrada em todos os terroristas que pega pelo caminho, ou aquele em que ele se enfia num barco buscando vingança, metendo bala em todos os capangas que pega pelo caminho? Statham, como Chuck Norris ou Jean-Claude Van Damme no seu tempo, tem gênero próprio: você sabe exatamente o que vai encontrar num filme que tenha a cara dele bem grande no pôster com expressão de poucos amigos. A típica cara de alguém que você nunca quer encontrar agachado atrás da esquina da sua rua, vai que cai um cocão inesperado. E, no entanto, ele tem alguma coisa quando a gente não consegue parar de vê-lo distribuindo porrada a torto e a direito.

Jason Statham como Jason Statham

Já vimos Statham distribuindo lenha em A Working Man, El Motín, The Beekeper, Despierta la furia, a saga Fast & Furious e, claro, os dois filmes de Meg, entre muitos outros. Ele é sinônimo, no fim das contas, de diversão pura e dura, ainda que os filmes não sejam lá muito bons do ponto de vista cinematográfico… exceto no começo da carreira. E é que o nosso protagonista, lá por 1998, não achava que chegaria a atuar: tinha sido atleta profissional, modelo e até vendedor na loja do pai antes de cruzar o caminho de Guy Ritchie, que estava no seu melhor momento.

Embora agora a gente já veja os trejeitos de Ritchie nas suas obras mais recentes (La fuente de la juventud, Aladdin, En la zona gris, etcétera), na época ele foi uma verdadeira bomba. Seu jeito rápido e direto de narrar os filmes o levou a fazer coisas como Sherlock Holmes, The Gentlemen ou Operação UNCLE, mas nada disso teria acontecido sem suas duas primeiras maravilhas: Lock & Stock e Snatch. Se me perguntarem, ele não fez, assim como Statham, nada melhor: são barra-pesada, divertidos, vão com pressa total, são hilários e até modernos vistos hoje em dia. Uma delícia, vai.

Se você não conhece esses filmes, de verdade, está perdendo alguma coisa. Lock & Stock custou apenas 800.000 libras, e no elenco só Statham e Vinnie Jones tiveram futuro depois. Se você colocar, durante quase duas horas vai curtir um grupo de criminosos de quinta que pisa na bola em grande estilo e acaba devendo dinheiro a um chefão da máfia. A partir daí, tudo vai se embolando cada vez mais, até um ponto de decadência brutal. Fez tanto sucesso que acabaram até fazendo uma série (embora, como todo bom spin-off, não valesse tanto a pena), e agora ficou como uma relíquia de outro mundo que você devia resgatar.

Em Snatch, Ritchie subiu o nível e colocou como protagonista um Brad Pitt que se esforçou para que não se entendesse uma palavra do que ele diz. Também estão lá Benicio del Toro, Vinnie Jones, Stephen Graham e, claro, o próprio Statham. É brutal, divertidíssimo, sombrio, rápido e na época foi uma pequena grande bomba: custou 10 milhões e arrecadou mais de 80, transformando todo mundo em estrela. E sim, também teve série de televisão. E, de fato, sem o elenco original ela só durou duas temporadas. Depois, Statham foi trabalhar em Hollywood, e até hoje. Mas se você está pensando seriamente em colocar mais um filme de tiros com ele como protagonista, aceite este conselho: volte atrás, à época em que ele convencia como gângster. Poucas vezes você vai ver algo mais divertido. Palavra. Ou como diria Brad Pitt em Snatch, “Paaahlabreeh”.

“Queda dos influencers” volta à tona: ela está mesmo acontecendo ou são só ilusões?

Nos últimos dias, a internet voltou a acender o debate sobre a tal “queda dos influencers”, essa rejeição pública aos criadores digitais, depois de circular um vídeo em que uma garota reclamava nos Stories por ter tido só um mês de férias, e não três, “como todo mundo”. Aí pronto: a internet veio abaixo.

Instagram Download

As publis, as férias em hoteizinhos com tudo pago, os vídeos reclamando da política quando simplesmente não mexeram um dedo por aquilo que dizem defender… É quase a versão digital de invadir o castelo da nobreza com lanças e tochas e pedir a cabeça dos influencers.

A coisa foi tão longe que até os próprios influencers começaram a empurrar a culpa para os outros, chamando a si mesmos de “criadores de conteúdo” e pedindo a queda “dos maus”. Quer dizer: dos que não são eles. Um espetáculo lamentável, da parte deles, que no fim acabou dando em… alguma coisa?

A hora dos maus

No fim, fica tudo meio na mesma. Você pode segui-los só para rir da cara deles, ou porque realmente acredita que aquele creme anti-idade é o que passam no rosto antes de dormir, ou porque eles já são quase da sua família.

A “queda” dos influencers, quando você olha os números de seguidores, foi mais um tropeço pequeno no caminho, um aviso para o futuro: nem tudo vale. Cuidado.

Claro, María Pombo ou Lola Lolita estão pouco se lixando para isso, mas a verdade é que houve algumas contas, poucas, para as quais isso doeu de verdade, pelo menos nos números de seguidores. Não a ponto de ficarem sem publicidade, óbvio.

RoRo, depois da Velada, perdeu 827.000 seguidores, segundo a variação de seguidores registrada após o evento. São 5,5%, um número que deveria deixar as marcas pelo menos um pouco nervosas: por que colaborar com alguém em plena decadência? É o mesmo que deveriam se perguntar todos os que quiserem fazer alguma coisa com Aruberuto Makoto, o primeiro influencer a se enrolar feio depois da famosa “queda”, o que só reforça a tese deste texto: as pessoas já não estão dispostas a deixar passar mais nada.

Desde que Aruberuto Makoto tentou ultrapassar todos os limites com uma desconhecida no Japão e apareceu com aquelas desculpas patéticas, perdeu 4% da audiência, ou seja, 11.530 seguidores, segundo a contagem da semana. Pode não soar como muito, mas acontecer isso em apenas sete dias é um absurdo.

A maioria, se formos honestos, nem notou: sim, o engajamento pode cair durante alguns dias e alguns milhares de seguidores podem ir embora (no caso de Peldanyos, por exemplo, foram só 2.192, pelos números de seguidores). Infelizmente, acho que é até aí que chega essa famosa “queda”.

Se um “criador” como JWulen, que um vídeo escancarou como um plagiador completo e causou um rebuliço pela internet inteira, perdeu 71.000 seguidores, de um total de 5 milhões, pelos números de seguidores, então já era. Sim, muitos influencers compram seguidores, e é por isso que escondem os likes, mas fica a sensação de que, mais uma vez, a hecatombe veio, explodiu e morreu dentro da nossa própria bolha.

Dependendo de com quem você falar nos diferentes escritórios de marketing, vai ouvir versões completamente distintas sobre o marketing com influencers: tem gente que torrou uma fortuna num story que não gerou uma única conversão e gente que multiplicou por dez o valor investido em retorno graças a ele, segundo relatos desses próprios escritórios. Alguém vai comprar um perfume porque Natalia Palacios, em uma #publi, decidiu dizer que ele cheira a morango?

Os influencers, que antes faziam parte da rotina de milhões de pessoas que mantinham com eles uma relação quase de amizade, de um lado só, claro, viraram a nossa imprensa de celebridades 2.0. E é isso, no fim das contas, o que interessa: com quem estão ficando, quem defendem, quem odeiam, com quem têm filhos.

Se mentem ou se dizem a verdade, se falam bobagem ou não. São o nosso pão e circo, os nossos bobos da corte, enchendo os bolsos de dinheiro enquanto fazem malabarismo. Não pode existir uma queda, além da puramente anedótica, quando há uma relação parasocial. É tão triste quanto soa.