A Microsoft acaba de identificar o GigaWiper, um malware para Windows que junta, na mesma ameaça, duas capacidades que costumam aparecer separadas: entrar sem chamar atenção e destruir tudo no fim.
O nome GigaWiper foi dado pela própria Microsoft em outubro de 2025. Segundo a empresa, ele pode funcionar como um trojan de acesso remoto, ou RAT, para espionar a vítima e assumir o controle do sistema, mas também apagar dados de forma irrecuperável quando os invasores resolvem encerrar a operação.
Na prática, o ataque pode começar como uma ação de espionagem e terminar em sabotagem, tudo sem que os criminosos precisem instalar outro malware no computador já comprometido.
Pesquisadores da Microsoft dizem que o GigaWiper é uma plataforma modular, montada com componentes reaproveitados de pelo menos três famílias de malware mais antigas. Entre elas estão o ransomware Crucio e o limpador FlockWiper.
Pelo que mostra a análise da Microsoft, esse formato dá mais margem de manobra aos criminosos. Eles podem misturar controle remoto e destruição de dados de acordo com o objetivo da campanha. De quebra, reduzem a “pegada” dentro da rede, porque concentram tudo em um pacote menor e mais discreto.
Ainda segundo a Microsoft, o GigaWiper consegue danificar máquinas Windows de três formas principais. Pode sobrescrever toda a unidade física e comprometer o disco por completo. Pode executar uma limpeza em várias passagens na unidade onde o Windows está instalado, o que aumenta bastante a chance de tornar a recuperação inviável. E pode até imitar um ataque de ransomware, criptografando arquivos sem salvar a chave usada no processo.
Nesse último cenário, tudo indica que existe espaço para pagamento ou negociação. Só que não existe. O objetivo ali é pura destruição, e isso pode atrasar o diagnóstico correto e fazer equipes de resposta a incidentes perderem um tempo precioso.
Em março de 2026, a empresa de cibersegurança Binary Defense passou a rastrear a ameaça com outro nome, BLUERABBIT. Também a vinculou, segundo a própria companhia, a um ator com nexo com o Irã, associado a variantes anteriores como BLUEWIPE e SEWERGOO.
De acordo com os relatos reunidos pela Binary Defense, os alvos mais frequentes são organizações em Israel. Isso reforça o pano de fundo geopolítico da campanha, que também se encaixa numa tendência mais ampla: o aumento do uso de malwares destrutivos em conflitos regionais. Entre os exemplos recentes citados pelos pesquisadores da Binary Defense estão o ataque atribuído ao grupo Handala contra a Stryker, em março de 2026, e a operação com o DynoWiper contra o setor de energia da Polônia no fim de 2025.
Para você, e para empresas que dependem de PCs com Windows, a principal lição é direta: uma infecção que hoje parece “só” espionagem pode virar um ataque destrutivo sem qualquer aviso. E, nesse tipo de caso, perceber tarde demais costuma significar perder tudo.