Fundador e CEO do SoftBank, Masayoshi Son disse a investidores, de acordo com a empresa, que os gastos anuais com inteligência artificial podem chegar a 5 trilhões até 2040. Na apresentação, Son descartou a ideia de que o setor esteja vivendo uma bolha e chamou essa interpretação de “absurda”. Na visão do executivo japonês, a atual onda de investimentos está longe de parecer exagerada, porque a demanda por chips, data centers e energia para sustentar sistemas cada vez mais avançados ainda deve crescer por muitos anos.
A fala reforça o movimento do SoftBank de voltar a uma postura mais agressiva em tecnologia, depois de um período marcado por perdas e revisões de rota no Vision Fund. Son vem insistindo que a próxima fase do mercado será menos definida por aplicativos e mais pela infraestrutura que permite que esses serviços existam. Na prática, ele está falando de semicondutores, capacidade computacional, redes e grandes centros de processamento.
Daí a previsão de 5 trilhões por ano não estar limitada ao software. Ela abrange todo o conjunto necessário para treinar e operar modelos em escala global. Son também indicou, segundo o SoftBank, que enxerga a Arm, a empresa britânica de chips controlada pelo grupo, como peça central dessa nova etapa e como um ativo estratégico num mercado cada vez mais dependente de processadores especializados e eficiência energética.
A comparação com bolhas do passado aparece com frequência desde a disparada no valor de empresas ligadas a chips, nuvem e automação, mas Son sustenta que, mesmo havendo excessos pontuais no mercado, isso não anula a transformação mais profunda que está em andamento. O raciocínio do executivo lembra o que se viu na era da internet: houve especulação, empresas quebraram, avaliações despencaram, mas a tecnologia em si seguiu avançando e acabou redesenhando setores inteiros da economia. Para ele, o movimento de agora repete esse padrão, só que numa escala ainda maior.
Essa leitura ajuda a entender por que o SoftBank voltou a bater na tecla do longo prazo, tentando convencer investidores de que o custo para erguer essa nova base digital será gigantesco, e inevitável.
Se a estimativa de Son chegar perto da realidade, o efeito deve ir muito além das big techs. Fabricantes de chips, operadoras de energia, empresas de refrigeração, construção de data centers e fornecedores de rede podem estar entre os maiores beneficiados. Ao mesmo tempo, a projeção recoloca um debate importante: quem vai bancar essa expansão e quão sustentável ela de fato será? O avanço tecnológico promete produtividade e novos produtos, mas também cobra investimentos colossais em infraestrutura física.
Para Son, porém, a direção já está traçada e, se a leitura do SoftBank estiver certa, o mercado ainda nem entrou na parte mais cara dessa corrida.