Meta acaba de apresentar o Meta Compute: data centers viram nova aposta de receita

A Meta Platforms acaba de colocar na mesa o Meta Compute, uma iniciativa com a qual a empresa pretende alugar capacidade computacional que está sobrando e, de quebra, oferecer seus modelos para clientes de fora.

No mercado, a leitura foi bem direta: Wall Street viu aí a chance de abrir uma nova fonte de receita, mais parecida com nuvem e menos amarrada à publicidade. Era justamente o tipo de resposta que muita gente vinha cobrando, depois de meses de pressão por causa do volume pesado de gastos com infraestrutura.

Segundo dados de mercado, as ações da Meta avançaram cerca de 6% na sexta-feira e acumulavam alta de aproximadamente 15% na semana. Foi o melhor desempenho semanal desde o começo de 2024, depois de o papel ter ficado para trás mesmo com o Nasdaq-100 subindo perto de 18% no ano.

O anúncio também mexe com a crítica que mais pesava sobre a empresa nos últimos meses. Segundo a Meta, a companhia elevou sua projeção de investimentos para 2026 para algo entre 125 bilhões e 145 bilhões, e uma fatia relevante desse total vai para expansão de infraestrutura. Até aqui, esse gasto vinha sendo tratado como agressivo demais para um retorno que seguia pouco claro.

O humor mudou rápido.

Dados de mercado mostram que o volume de opções negociadas passou de 3 vezes a média dos últimos 30 dias, e 78% dos 1,8 bilhão em prêmios estavam ligados a calls. É um sinal forte de mudança de posicionamento, e isso aconteceu antes mesmo de aparecer qualquer receita relevante.

Parte desse entusiasmo veio de modelos de avaliação mais ousados. A Wolfe Research calcula que cada gigawatt de capacidade monetizada, num ritmo de cerca de 25 bilhões por ano, poderia aumentar o lucro por ação em algo perto de 20%.

Não surpreende, então, que os preços-alvo para 12 meses comecem a se agrupar na faixa dos 800 por ação, com estimativas de analistas publicadas entre 720 e 869.

Ao mesmo tempo, a Meta tenta deixar claro que não está colocando todas as fichas numa frente só. Segundo a própria empresa, ela liberou acesso pago ao modelo Muse Spark 1.1 por meio da nova Meta Model API, lançou as ferramentas Muse Image e Muse Video e continua acelerando o programa de chips MTIA.

A primeira geração do chip Iris deve entrar em produção em massa em setembro de 2026, segundo a Meta.

Outra peça importante dessa tese passa pelo controle de custos.

Se conseguir ampliar o uso de chips próprios e ganhar eficiência nos data centers, a Meta tende a depender menos de fornecedores externos e a reduzir o custo da operação ao longo do tempo. Algumas estimativas de analistas falam em queda de até 35% nos custos de data center em 2027.

Mesmo assim, o rali não apaga os riscos. O Meta Compute ainda não vendeu nada, a Meta nunca operou um negócio de nuvem para clientes externos em larga escala e, se levar isso adiante, vai disputar espaço diretamente com rivais que já estão muito à frente, como Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure e Google Cloud.

Há ainda um ponto delicado nessa história. Vender capacidade excedente pode ser visto como uma forma inteligente de monetizar o que já foi construído, mas também pode passar a mensagem de que a Meta levantou infraestrutura além do necessário.

Por enquanto, Wall Street preferiu ficar com a primeira interpretação. O próximo teste será mostrar que essa narrativa nova consegue sair do PowerPoint e virar receita de verdade. E você, arrisca algum palpite?

Author: Chema Carvajal Sarabia

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