O estúdio francês Douze Dixièmes fechou as portas cerca de cinco meses depois do lançamento de MIO: Memories in Orbit, em janeiro de 2026, segundo reportagens da imprensa francesa, entre elas o Le Figaro, depois retomadas por veículos especializados e jornalistas do setor. O que faz essa história pesar mais é o contraste entre a recepção e o resultado: MIO: Memories in Orbit foi bem recebido pela crítica, com elogios frequentes ao visual e à jogabilidade no estilo metroidvania, mas as vendas teriam ficado aquém do que o estúdio precisava para se manter de pé.
Pelas informações publicadas na França, a ruptura com a Focus Entertainment foi o ponto decisivo. A publisher havia comprado o estúdio parisiense Douze Dixièmes em 2021, mas teria encerrado a relação após os resultados comerciais considerados fracos de MIO: Memories in Orbit, sempre de acordo com essas mesmas reportagens.
Os números completos de vendas em todas as plataformas não chegaram a público. No PC, porém, estimativas ligadas à Steam falam em algo entre 67 mil e 78 mil cópias vendidas. Isso ajuda a entender por que um jogo elogiado pela crítica, mesmo vindo de uma equipe pequena, não conseguiu virar estabilidade financeira.
As informações mais recentes da imprensa francesa apontam que a Douze Dixièmes tinha por volta de 10 funcionários quando encerrou as atividades. Os cofundadores ainda teriam recomprado suas participações na empresa para assumir pessoalmente o processo de fechamento e conduzir as demissões.
Lançado em janeiro, MIO: Memories in Orbit chamou atenção entre fãs de ação e exploração 2D pela direção de arte e pela movimentação fluida. Só que elogio, nota boa e comentários positivos não garantem caixa. E tudo indica que foi exatamente isso que aconteceu aqui. O caso expõe um lado duro do mercado: até jogos bem avaliados podem fracassar comercialmente se não conseguirem visibilidade suficiente ou se não recuperarem os custos de produção e publicação num setor cada vez mais concorrido.
Mesmo com o fim da Douze Dixièmes, a Focus Entertainment seguirá com os direitos de publicação de MIO: Memories in Orbit e também de Shady Part of Me, o jogo anterior do estúdio, segundo os relatos citados pela imprensa francesa. Na prática, isso quer dizer que os jogos devem continuar existindo comercialmente, mesmo com a equipe criativa por trás deles se desfazendo.
Até agora, não saiu um comunicado público mais amplo, assinado pelos cofundadores, explicando em detalhes o fechamento. Por isso, boa parte do que se sabe veio mesmo das reportagens publicadas na mídia francesa, incluindo o Le Figaro.
O fechamento da Douze Dixièmes também vem sendo citado como parte de uma crise maior no setor de jogos na França. O sindicato francês STJV descreveu o momento como a pior crise social da indústria em mais de 20 anos e convocou uma greve nacional para 25 de junho de 2026. Visto por esse ângulo, o desaparecimento de um estúdio pequeno, premiado e respeitado pela crítica deixa de parecer um episódio isolado. Passa a simbolizar uma dificuldade que só cresce: transformar reconhecimento artístico em sobrevivência financeira na indústria de games.