Segundo documentos apresentados à Justiça, a Nintendo of America pediu agora aos tribunais dos Estados Unidos que barrem a ação coletiva movida por consumidores que querem ser reembolsados pelos aumentos de preços atribuídos às tarifas de importação aplicadas no país.
A base do processo é a seguinte: os autores dizem que a Nintendo of America pode acabar lucrando duas vezes com a mesma situação. Primeiro, ao jogar esse custo no colo dos consumidores. Depois, ao tentar receber de volta do governo americano o valor pago nessas tarifas.
Na ação, os consumidores afirmam que a Nintendo aumentou o preço de alguns produtos enquanto as tarifas estavam valendo e, com isso, repassou o impacto ao comprador final. Entre os itens citados estão o Switch 2 Pro Controller e o Dock Set. No caso do controle Pro, o processo sustenta que o preço teria passado de US$ 79,99 para US$ 84,99.
A proposta da ação coletiva abrange consumidores dos Estados Unidos que compraram produtos afetados entre 1º de fevereiro de 2025 e 24 de fevereiro de 2026. Os fundamentos incluem enriquecimento sem causa e violação da Washington Consumer Protection Act, a lei estadual de proteção ao consumidor.
O trecho mais delicado da disputa gira em torno do chamado “double recovery”, ou “duplo ganho”. Os autores argumentam que, se a Nintendo embutiu as tarifas no preço final e agora também tenta receber esse dinheiro de volta do governo, a empresa ficaria com uma vantagem indevida, bancada por quem comprou os produtos.
A discussão apareceu porque as tarifas questionadas, de acordo com os documentos judiciais, foram impostas pelo governo Trump em 2025 e mais tarde acabaram derrubadas. Em fevereiro de 2026, ainda segundo esses documentos, a Suprema Corte dos EUA considerou a medida inconstitucional. Isso abriu caminho para que empresas afetadas peçam a devolução do que pagaram.
A Nintendo, porém, está longe de ser caso isolado. Mais de 1.000 empresas, entre elas Costco e FedEx, também buscam reaver valores ligados a essas tarifas, que, conforme consta nos autos, já teriam gerado arrecadação superior a US$ 200 bilhões.
Na manifestação enviada à Justiça, a Nintendo diz que os consumidores não têm direito automático a qualquer quantia que a empresa eventualmente recupere e sustenta que não há obrigação legal de repassar esses valores. Em resumo, a defesa tenta separar duas coisas: o preço cobrado no varejo e um possível acerto tributário com o governo.
E a história pode ir além da Nintendo. A Sony responde a uma ação parecida por aumentos no preço do PS5, e especialistas citados nos documentos do caso apontam que esse tipo de processo pode abrir um precedente importante para disputas futuras sobre tarifas, repasse de custos e devolução de valores ao consumidor. Se a Justiça deixar a ação seguir adiante, a discussão pode virar um teste de peso para o mercado de eletrônicos e games nos Estados Unidos: quando uma empresa sobe os preços por causa de uma tarifa que depois é invalidada, quem fica com o dinheiro devolvido? E você, arrisca um palpite?