A Sony pode estar pisando no freio, ou até desistindo de vez, dos planos de levar mais jogos single-player de seus estúdios para o PC. É o que apontam relatos publicados recentemente sobre uma reunião interna da companhia. Se isso de fato se confirmar, os grandes jogos narrativos da PlayStation voltam a ocupar o centro da estratégia de exclusividade no console, enquanto títulos com cara de multiplayer e live service continuariam encontrando espaço no PC.
De acordo com o que foi relatado sobre essa reunião interna, Herman Hulst teria dito em um town hall da empresa que os jogos single-player com foco em narrativa devem seguir exclusivos do PlayStation. Já os títulos live service continuariam sendo vistos como candidatos naturais para sair também no PC, onde têm mais chance de ampliar a base de jogadores e gerar receita recorrente.
A explicação mencionada nesses relatos passa por dois pontos. De um lado, a qualidade irregular de alguns ports, com lançamentos que vieram cercados de críticas por desempenho e otimização. O exemplo que mais aparece é The Last of Us Part 1. Do outro, um retorno financeiro abaixo do que a empresa esperava.
Ainda segundo esses relatos, os jogos da PlayStation no PC somaram mais de 300 milhões em receita líquida nos três anos até 2023. Mesmo assim, o valor teria ficado bem distante da escala alcançada nas vendas de software para PlayStation 4 e PlayStation 5. O negócio no PC teve peso, claro, mas continua pequeno perto do coração da operação da marca.
A leitura interna descrita nessas informações seria direta: deixar as grandes aventuras single-player apenas no console ajuda a reforçar o valor do hardware PlayStation. E isso ganha ainda mais importância num mercado em que o custo de entrada para jogar videogame virou assunto constante. A ideia também conversa com declarações públicas mais recentes do CEO Hideaki Nishino. Ele disse que as decisões sobre plataformas dependem das características de cada jogo, mas também destacou que os títulos single-player produzidos internamente existem, em boa parte, para fortalecer a experiência dentro do ecossistema PlayStation.
Mas o desempenho da Sony no PC não foi um fracasso total. Helldivers 2 mostrou bem o outro lado dessa história: saiu ao mesmo tempo no console e no computador, teve resultado forte e se beneficiou de forma bastante clara de uma comunidade maior desde o primeiro dia.
É justamente nesse ponto que alguns analistas mencionados nos relatos veem uma chance desperdiçada. Quando ports de jogos single-player chegam tarde ao PC, o auge da conversa em torno deles já passou, e isso reduz o impacto comercial. Há ainda outro problema possível: um recuo mais amplo pode limitar o alcance da marca em mercados onde o PC domina, como a China.
Por enquanto, a Sony não anunciou oficialmente o fim dos ports single-player para PC. Ainda não dá para bater o martelo enquanto a empresa não se pronunciar de forma oficial, mas o movimento faz sentido dentro de uma estratégia mais seletiva, com o PlayStation 5 no centro de tudo e o PC reservado sobretudo para experiências com vocação de serviço. E você, aposta em qual caminho?