A Steam colocou no ar, neste fim de semana, oito novos jogos grátis para PC na sua seção free-to-play. A entrada desses títulos aconteceu sem alarde, então eles já estão disponíveis para entrar na biblioteca, baixar e jogar sem gastar nada.
Na prática, já dá para clicar, adicionar à conta e começar a jogar. E, como estamos falando de lançamentos no formato free-to-play da Steam, não existe aquela lógica de “pega agora antes que suma” que costuma aparecer em promoções por tempo limitado.
O que chama atenção aqui é o volume: de uma vez só, a Steam recebeu oito games gratuitos novos no catálogo.
A seleção passa por gêneros bem diferentes, com jogos de mistério, shooter de sobrevivência, plataforma, terror e RPG. A maior parte vem de estúdios independentes.
Vale separar as coisas, porque a Steam trabalha com dois tipos de jogo grátis que funcionam de maneiras bem distintas. De um lado está o free-to-play, que já chega à loja sem preço de entrada e costuma ganhar dinheiro com compras dentro do jogo, itens cosméticos, expansões ou outras microtransações. Do outro, existe o “grátis por tempo limitado”, quando um jogo que normalmente é pago pode ser resgatado sem custo durante uma janela promocional e depois fica para sempre na conta. Nesta leva, segundo a própria listagem da Steam, o destaque está no primeiro grupo: jogos que entram na loja como gratuitos de forma permanente.
Esse volume de jogos grátis faz parte da estratégia da Steam já há bastante tempo.
Além de aumentar a circulação de usuários, o modelo ajuda a plataforma a seguir forte como principal vitrine do PC, ainda mais num mercado que vem ficando mais disputado.
Para os desenvolvedores, especialmente os indies, lançar um jogo gratuito pode ser um jeito de ganhar espaço num ambiente lotado.
Em vez de brigar de frente com lançamentos premium pela mesma atenção, muitos estúdios usam a gratuidade como porta de entrada para formar comunidade, atrair avaliações e melhorar o alcance orgânico dentro da própria loja.
E isso não quer dizer falta de receita. Um caso recente citado pela indústria ajuda a mostrar como essa lógica funciona: uma promoção de quatro dias de Graveyard Keeper na Steam teria gerado cerca de 250.000 em faturamento indireto, principalmente por meio da venda de DLC para jogadores que resgataram o game base sem pagar, segundo esse exemplo mencionado pelo setor.
A comparação com a Epic Games Store acaba vindo quase automaticamente.
A Epic ficou conhecida por liberar, semana após semana, jogos premium que normalmente são pagos. A Steam, por outro lado, se diferencia pelo volume enorme de títulos free-to-play que ficam disponíveis o tempo todo.
As duas seguem caminhos parecidos no objetivo de atrair e segurar usuários, mas executam isso de formas diferentes. A Epic Games Store trabalha com giveaways pontuais como isca. A Steam aposta em escala, variedade e permanência dentro da própria loja.
Claro que o modelo também recebe críticas. Entre elas estão a sensação de que os jogos perdem valor, o uso de microtransações agressivas, a manipulação de avaliações e o excesso de títulos de baixa qualidade, o chamado shovelware, que acaba atrapalhando a descoberta de projetos realmente interessantes.
Mesmo assim, para o público, a conta ainda fecha: mais opções sem custo de entrada e mais chance de topar com alguma surpresa boa no meio do catálogo. Para quem gosta de garimpar novidades no PC, este fim de semana entregou exatamente isso.