O Shorts, área de vídeos curtos do YouTube, começou a receber no fim de junho de 2026 um pacote de mudanças na interface. O momento não foi escolhido por acaso: segundo o YouTube, a atualização chega quando o produto completa cinco anos desde o lançamento inicial.
No conjunto anunciado pela empresa entram uma tela mais limpa, reprodução em 2x, opção para deixar o vídeo no mudo e uma mudança de peso na forma como o público interage com o conteúdo.
A alteração que mais deve chamar discussão é outra: o botão de deslike sai dos Shorts, e o joinha tradicional dá lugar a um coração. Na prática, a experiência fica mais próxima do que já se vê em plataformas rivais, como TikTok e Instagram Reels.
A novidade mais útil no dia a dia é o modo “Clear Screen”. Ele tira textos e ícones da tela para deixar o vídeo no centro de tudo, o que ajuda bastante em Shorts com legendas, sobreposições e interface carregada.
Também chegaram dois controles básicos que faziam falta nesse formato: reprodução em 2x e botão de mudo. Ambos aparecem quando o usuário toca para pausar um Short, reunindo essas funções num menu mais direto e deixando a navegação menos poluída enquanto o vídeo roda.
Nos botões de reação, a troca é simples de descrever, mas muda a leitura da interface: o coração entra no lugar do antigo joinha, e o deslike deixa de aparecer no player dos Shorts.
Para treinar o feed, o YouTube quer empurrar os usuários para sinais mais claros, como “Não tenho interesse” e “Não recomendar este canal”. A lógica é direta: essas opções dizem com mais precisão do que um simples deslike o que a pessoa quer, ou não quer, continuar vendo.
Do lado dos criadores, a retirada do deslike mexe com uma métrica que muita gente acompanhava. Segundo o YouTube, os dados históricos continuam visíveis no YouTube Studio, mas deixam de ser atualizados até o fim de junho de 2026.
Na prática, quem publica Shorts vai ter de olhar ainda mais para outros indicadores, como retenção, tempo de exibição e a relação entre assistir até ali ou deslizar para o próximo vídeo.
Tudo isso acontece num momento em que o Shorts já opera em escala gigantesca. Segundo o YouTube, no começo de 2026 o formato passou de 2 bilhões de usuários ativos por mês e superou 200 bilhões de visualizações por dia, um salto bem acima das 70 bilhões de visualizações diárias que a plataforma havia informado no início de 2024.
No mesmo intervalo, ainda segundo o YouTube, o número de canais que publicam Shorts cresceu 50% na comparação anual durante o primeiro trimestre de 2024.
O anúncio também carrega um peso simbólico. Marca os cinco anos do produto. De acordo com o YouTube, o Shorts estreou em beta na Índia em setembro de 2020, foi ampliado para o resto do mundo em julho de 2021 e, dali em diante, deixou de ser um complemento para se tornar uma das prioridades da plataforma.
Esse movimento já vinha aparecendo havia algum tempo, primeiro com o aumento da duração máxima para três minutos no fim de 2024, depois com o ritmo mais acelerado de lançamento de ferramentas de edição e remix ao longo de 2025 e 2026.
Para os criadores, a monetização continua abaixo da do vídeo tradicional. Em 2026, o RPM estimado segue na faixa de 0,01 a 0,07, com repasse de 45% da parcela alocada no pool de anúncios do Shorts.
Mesmo assim, o tamanho da audiência transforma o formato numa vitrine muito forte para crescimento e, para certos perfis, também numa fonte relevante de receita.