O Claude Fable 5, modelo da Anthropic, voltou ao ar nesta quarta-feira, 1º de julho, depois que o governo dos Estados Unidos derrubou a restrição de exportação que havia interrompido o serviço no mundo todo. A informação foi confirmada pela própria Anthropic. A decisão também atinge o Mythos 5, outro modelo da empresa, e põe fim a um bloqueio de 18 dias que acabou virando um apagão global: como a Anthropic não tinha como checar, em tempo real, a nacionalidade de cada usuário, preferiu suspender o acesso para todos.
A mudança foi confirmada pelo Departamento de Comércio dos EUA, que retirou os controles impostos em meados de junho aos modelos avançados da Anthropic. Naquele momento, a orientação do órgão exigia licença para liberar o acesso a estrangeiros. Para não correr o risco de violar a regra, a empresa desligou o serviço em escala global.
Agora isso mudou. Segundo o governo americano, essa licença deixou de ser exigida depois que a Anthropic aceitou adotar novas salvaguardas, agir de forma mais proativa diante de riscos de segurança e trabalhar com as autoridades dos EUA na definição de padrões para as próximas gerações de seus sistemas.
O gatilho para a restrição foi a descoberta, de acordo com a Anthropic, de uma vulnerabilidade de “jailbreak” no Claude Fable 5 por pesquisadores da Amazon. A falha acendeu o alerta de que os recursos de cibersegurança do modelo poderiam ser usados para localizar vulnerabilidades em softwares, algo tratado como sensível do ponto de vista regulatório. Como resposta, a Anthropic acrescentou uma nova camada de proteção para bloquear prompts e tentativas de exploração ligados à identificação de falhas de software. A empresa diz que essa barreira foi uma das condições centrais para a retomada do acesso.
A atualização está sendo liberada aos poucos para todos os usuários do Claude Fable 5, segundo a Anthropic. Para checar se a novidade já chegou à sua conta, basta abrir o Claude.ai ou testar a API da empresa.
A restauração será global e vai incluir o Claude.ai, a API da Anthropic e plataformas de nuvem parceiras, como AWS (Amazon Web Services), Google Cloud e Microsoft Foundry. Na prática, isso significa que usuários finais e clientes corporativos devem começar a ver o serviço reaparecer nesses ambientes, também de acordo com a Anthropic. O Mythos 5, por sua vez, volta de forma mais restrita neste primeiro momento: no começo, ficará disponível só para um grupo seleto de organizações americanas ligadas à infraestrutura crítica.
O episódio também recoloca uma discussão que estava longe de esfriar: até onde governos devem ir no controle de sistemas avançados com potencial de uso em cibersegurança? Em menos de três semanas, uma decisão regulatória tomada em Washington afetou clientes no mundo inteiro e reforçou, sobretudo na Europa, a preocupação com a dependência de plataformas sediadas nos Estados Unidos para serviços estratégicos.