A Disney passou a discutir, recentemente, a criação de um plano gratuito com anúncios no Disney+, de acordo com reportagens da imprensa internacional. A hipótese surgiu internamente pelas mãos de plano gratuito com anúncios, chefe de produto e tecnologia da empresa, durante um town hall realizado há pouco tempo.
Ainda não existe cronograma, não há mercados escolhidos e tampouco confirmação sobre qual fatia do catálogo do Disney+ poderia entrar nesse formato. Mesmo assim, o tema já estar sendo debatido diz bastante sobre o momento do setor: a briga no streaming vem empurrando as plataformas para ofertas mais baratas, ou até sem cobrança direta do usuário.
Do ponto de vista do negócio, a razão para um plano grátis é simples: alcançar gente que não quer , ou simplesmente não consegue, bancar mais uma assinatura por mês.
Num mercado disputado palmo a palmo, abrir uma opção sem custo pode ajudar o Disney+ a ampliar sua base de usuários, fortalecer a presença da marca Disney e criar uma porta de entrada para, mais adiante, converter parte desse público em assinantes pagos. Há também a frente publicitária. Ela pesa. O streaming com anúncios continua avançando e, segundo reportagens da imprensa internacional, as plataformas gratuitas com publicidade responderam por 18,7% da audiência de TV nos Estados Unidos em abril de 2026. Dois anos antes, esse número era de 12,7%. O salto aponta para uma procura maior por alternativas de entretenimento mais baratas, sobretudo num cenário em que muita gente já mostra cansaço com o acúmulo de assinaturas.
E a Disney não está entrando nesse terreno do zero.
Segundo as mesmas reportagens da imprensa internacional, cerca de 30,6% dos assinantes globais do Disney+, algo em torno de 47,2 milhões de pessoas, estavam no plano pago com anúncios ao longo dos três primeiros trimestres de 2026. Nos Estados Unidos, a adesão foi ainda mais alta e bateu 43,2%. Olhando para o quadro mais amplo, os serviços de streaming com anúncios da Disney, somando Disney+, Hulu e ESPN+, chegaram a 157 milhões de usuários ativos mensais no mundo em janeiro de 2025 e avançaram para 164 milhões em maio daquele mesmo ano. Não é pouca coisa. Isso indica que a companhia já opera sobre uma base relevante quando o assunto é monetizar publicidade.
Analistas ouvidos pela imprensa internacional apostam que uma eventual versão gratuita do Disney+ não daria acesso integral ao serviço. A tendência seria um catálogo mais limitado, ou ao menos mais filtrado.
Nessa conta poderiam entrar títulos antigos, temporadas específicas, episódios piloto ou conteúdos organizados para incentivar o upgrade aos planos pagos.
Só que esse caminho também tem seus riscos. Se a carga de anúncios passar do ponto, a experiência pode azedar e o engajamento cair. Existe ainda o receio de canibalização , já que uma parte dos assinantes atuais poderia trocar o plano pago pela opção gratuita, pressionando a receita média por usuário. Também seguem abertas várias questões: quais mercados internacionais teriam prioridade, por exemplo, e como públicos diferentes reagiriam a isso, em especial famílias e espectadores mais jovens. Ainda não dá para tratar o recurso como certo antes de um posicionamento oficial da Disney, mas a discussão parece acompanhar um movimento maior do setor, em que serviços como Netflix e Max já apostaram em planos com anúncios para crescer sem depender só das assinaturas tradicionais, segundo a imprensa internacional. E você, arrisca algum palpite?