HalluSquatting, ou Phantom Squatting, entrou no radar de pesquisadores de segurança por pegar um tropeço comum de chatbots e assistentes de código e transformar isso em algo bem aproveitável por atacantes. Quando essas ferramentas não sabem uma resposta, nem sempre dizem simplesmente “não sei”. Às vezes inventam uma URL, um domínio ou o nome de um pacote que soa legítimo. Se alguém registrar esse endereço antes, dá para usar a confusão de forma maliciosa.
O risco é bem concreto. Você, e até sistemas automatizados, podem confiar no que a ferramenta devolveu e acabar entrando em uma estrutura controlada por invasores. A partir daí, o caminho fica aberto para phishing, roubo de credenciais, distribuição de malware e até comprometimento da cadeia de software, no caso de um pacote falso ser baixado e instalado como se fosse o verdadeiro.
A lógica do HalluSquatting é simples. E justamente por isso, perigosa.
Se uma ferramenta generativa “inventa” um domínio ou um pacote que não existe, um atacante pode registrar esse nome e ficar esperando que alguém chegue até ele guiado por essa sugestão errada.
Como o endereço parece plausível, a fraude pode passar batida, sobretudo em fluxos de trabalho acelerados, como pesquisa, suporte técnico ou programação. A Unit 42, área de pesquisa da Palo Alto Networks, já viu esse problema aparecer em escala relevante. Em um levantamento com 2,1 milhões de URLs geradas por dois modelos de linguagem a partir de consultas sobre 913 marcas globais, mais de 13 mil foram confirmadas como maliciosas. E tem mais: cerca de 250 mil domínios “alucinados” ainda estavam livres para registro, o que dá uma boa noção do tamanho da área disponível para abuso.
O que faz essa técnica funcionar tão bem fora do laboratório é a previsibilidade. Pesquisadores da Unit 42 observaram que ferramentas diferentes costumam inventar os mesmos domínios, o que ajuda criminosos a prever quais nomes valem o registro. Como muitos desses endereços são recém-criados, também podem escapar de filtros de segurança baseados em reputação, já que esse tipo de proteção depende de histórico para barrar ameaças.
Num caso documentado pela própria Unit 42, um invasor usou um assistente de código para montar um kit de phishing hospedado em um domínio fantasma que os pesquisadores já tinham previsto que seria sugerido por esses sistemas. Isso tira o tema do campo da hipótese. Embora relatos públicos ainda não mostrem com frequência uma cadeia completa saindo do HalluSquatting até virar uma botnet de grandes proporções, o caminho técnico é visto como plausível: se um domínio ou pacote inventado for usado para distribuir malware, máquinas infectadas podem receber agentes de acesso remoto e passar a integrar redes coordenadas de dispositivos comprometidos.
Esse quadro entra numa tendência mais ampla de cibercrime turbinado por automação, com campanhas de phishing mais convincentes, malware mais adaptável e exploração de falhas em escala maior. Projeções citadas pela Unit 42 no contexto dessas pesquisas falam em mais de 28 milhões de incidentes cibernéticos desse tipo no mundo em 2025.
Para especialistas, o ponto central é outro: esse comportamento não pode ser tratado como um bug qualquer, daqueles fáceis de corrigir. A recomendação dos pesquisadores da Unit 42, tanto para empresas quanto para usuários, é validar sempre URLs, domínios, nomes de pacotes e até orientações de correção antes de agir. Se uma ferramenta sugeriu um link ou uma biblioteca, o melhor é checar a origem por conta própria antes de clicar, baixar ou instalar.