Provavelmente você nunca pensou nas primeiras estrelas após o Big Bang, a menos que você seja astrônomo e esse seja o seu trabalho. No entanto, agora que você leu o título, certamente surgiu a dúvida: como eram e do que eram compostas essas primeiras estrelas?
Dado que acredita-se que a maioria dos metais do universo provêm de estrelas mortas que explodiram, os cientistas racionalizaram que as primeiras estrelas deviam ser compostas quase que inteiramente de hidrogênio e hélio, o material primitivo que surgiu do Big Bang.
O caso é que ninguém ainda viu uma dessas estrelas puras. Mas uma equipe que utiliza o telescópio espacial James Webb, fruto da colaboração entre a NASA e as agências espaciais europeia e canadense, pode ter algo em mãos.
Podemos observar as primeiras estrelas do universo?
Enquanto estudavam recentemente a galáxia GN-z11, que existia quando o universo de 13,8 bilhões de anos tinha apenas cerca de 430 milhões de anos, eles encontraram um grupo de hélio no halo que a rodeia.
A nova pesquisa, aceita para publicação pela revista científica Astronomy & Astrophysics, pode levar a uma das descobertas mais importantes da astrofísica moderna.
Em teoria, os cientistas esperavam encontrar aglomerados como este ao redor de galáxias massivas em épocas iniciais. A ideia é que essas bolsas de gás pristino poderiam colapsar e formar os chamados aglomerados estelares de População III.
As estrelas da População III são as estrelas que, de acordo com as teorias, deveriam ter se formado no universo primitivo antes da existência de metais, termo astronômico que designa todos os elementos mais pesados que o hélio. Acredita-se que essas estrelas sejam muito massivas, luminosas e quentes.
A razão pela qual são chamadas de “População III” é que, na década de 1940, as estrelas eram divididas em duas categorias principais: as ricas em metais e as pobres em metais, de acordo com a Universidade Tecnológica de Swinburne (Austrália). Mas mesmo estas últimas têm muito mais conteúdo metálico do que seria possível a partir do gás primitivo remanescente do Big Bang.
No final, os astrônomos começaram a pensar em uma terceira população de estrelas ainda por ser vista, formada pelo material puro do Big Bang que não foi processado pelas gerações anteriores de estrelas.
Os núcleos das estrelas são considerados fábricas de elementos: Eles produzem carbono, por exemplo, a mesma substância química em que os seres humanos e grande parte da vida na Terra se baseiam. Em seguida, através de explosões de supernovas, espalham pelo espaço interestelar elementos pesados como o cálcio dos ossos e o ferro do sangue. Essa dispersão dá origem a novas gerações de estrelas e planetas, mas os cientistas admitem que ainda têm muito a aprender sobre as primeiras etapas do processo.
Na astronomia, olhar mais longe significa observar o passado, pois a luz e outras formas de radiação levam mais tempo para chegar até nós. O James Webb foi construído para estudar um período extremamente precoce do cosmos, detectando luz invisível em comprimentos de onda infravermelhos.
Em poucas palavras, uma grande quantidade de poeira e gás no espaço escurece a visão de fontes de luz extremamente distantes e inherentemente fracas, mas as ondas infravermelhas podem penetrar através das nuvens.
