O X fez mais um ajuste no algoritmo, desta vez para dar mais destaque a posts e respostas de mútuos, aquelas contas que a pessoa segue e que também a seguem de volta. Pela descrição da própria empresa, a mudança é pequena, mas mira numa coisa bem específica: deixar a experiência menos tomada por desconhecidos e mais puxada para gente com algum vínculo anterior.
Quem explicou isso foi Nikita Bier, chefe de produto do X. Ele disse na própria plataforma que o sistema de recomendações não estava lendo direito os sinais de relações mútuas. Na prática, o resultado era meio torto: amigos apareciam menos nas replies, enquanto discussões com estranhos ocupavam mais espaço e davam ao X um clima de “campo de batalha”.
O ajuste, no fundo, funciona assim: posts e replies de perfis com conexão recíproca passam a ganhar mais visibilidade. Na visão de Nikita Bier, isso tende a deixar as conversas com um tom mais familiar e pode ajudar a juntar grupos mais coesos em torno de interesses em comum.
A lógica é esfriar um pouco a dinâmica em que toda conversa vira uma arena aberta para trombadas com desconhecidos e, no lugar disso, fortalecer laços que já existem entre os usuários. Também é um sinal de algo maior, uma mudança de rumo na maneira como a plataforma pensa recomendações.
Nos últimos meses, o X tem batido mais na tecla da qualidade da conversa do que no engajamento bruto. Relatos recentes sobre o sistema de ranking da rede apontam que respostas passaram a valer 27 vezes maior do que curtidas, chegando a ter peso 27 vezes maior. Hashtags e links externos, por outro lado, perderam espaço.
Essa priorização de mútuos aparece logo depois de outro recado público dado por Nikita Bier: contas que publicarem conteúdo original devem “subir mais rápido” na plataforma. O comentário veio depois de o próprio executivo admitir, no X, que alguns perfis grandes estavam tirando proveito de conteúdo reciclado ou até roubado.
Colocadas lado a lado, as duas falas sugerem uma tentativa de reorganizar o feed do X em torno de conversas vistas como mais valiosas e de publicações menos oportunistas. Na teoria, isso favorece usuários que aparecem com frequência, participam de verdade e construíram redes mais sólidas, em vez de perfis que vivem só de viralização fácil.
Essa virada do X acontece quando os rivais também estão apostando mais em experiências de comunidade. O Threads disse há pouco que seu salto para 500 milhões de usuários mensais foi puxado por comunidades. Já o Bluesky vem defendendo um modelo menos centrado numa única “praça pública” e mais voltado para espaços menores e privados. O curioso é que isso bate de frente com decisões anteriores do próprio X, que encerrou o recurso Communities e empurrou usuários para chats em grupo maiores e timelines personalizadas. Na época, segundo relatos, a mudança teria sido influenciada pela baixa adoção e também por problemas de spam e golpes.
Ainda assim, o discurso vem antes das provas. Até agora, não há números públicos mostrando se esse novo ajuste para mútuos realmente melhora o clima das conversas ou a qualidade do engajamento. Sem dados de testes A/B ou métricas claras, o efeito concreto da mudança continua, por enquanto, em aberto. E aí, arrisca algum palpite?