No evento Pixel Arcadia, prévio à GamesCom, foi anunciado um remaster de Terranigma. Isso causou um grande rebuliço nas redes sociais que, para muita gente, é totalmente enigmático. Por que tanto escândalo por um jogo de Super Nintendo que só saiu no Japão e na Europa? Não parece que tenha tanta importância. Mas parte da chave é essa. E vamos destrinchar para você as razões.
Um jogo que viu pouco mundo
Terranigma é um videogame desenvolvido pela Quintet e publicado em 1995 para Super Nintendo no Japão e na Europa. A Quintet é um estúdio muito singular que desenvolveu clássicos hoje muito conhecidos como ActRaiser e Illusion of Gaia, mas também obras de culto como Robotrek e Planet Laika, tornando-o um estúdio extremamente singular até mesmo em sua época.
O principal chamariz do jogo, pelo menos no Japão, eram os designs de personagens de Kamui Fujiwara, um artista de mangá conhecido pelos designs de Kerberos Panzer Cop, Teito Monogatari e Dragon Quest Saga: Emblem of Roto. Fora do Japão, seu maior atrativo eram gráficos exuberantes, um excelente design mecânico e uma música primorosa, cortesia de Miyoko Takaoka e Masanori Hikichi. Tudo isso para conformar um excelente Action RPG que ainda hoje é lembrado como um dos melhores jogos do Super Nintendo.
Há duas razões para isso. A primeira é que ele é um dos últimos jogos do console. O Super Nintendo estava em seus últimos anos de vida e os desenvolvedores puderam explorar ao máximo suas capacidades. A segunda é que nem todo mundo pôde jogá-lo: além de ter tido uma tiragem relativamente pequena, nos EUA ele nem sequer chegou a sair, algo que o transformou em um título de culto.
Por que não saiu nos EUA? A razão é muito simples. Embora tenha sido desenvolvido pela Quintet, sua distribuição ficava a cargo da Enix. A Enix, que pouco depois se fundiria com a Square para formar a Square Enix, tinha uma filial nos EUA com a qual pensava distribuir o jogo nos EUA. Mas, no fim de 1995, fechou essa filial devido a problemas de solvência econômica, fazendo com que ele não chegasse a ser distribuído no país. Por que, então, ele chegou à Europa? Porque a Quintet tinha um contrato de distribuição com a Nintendo desde o princípio, fazendo com que não houvesse problema com a mesma.
Com os anos, Terranigma se tornou um jogo de culto por sua excelência, porque é um jogo extraordinário que está entre os melhores do catálogo do Super Nintendo, mas também por sua raridade. Não só há poucas cópias do jogo na Europa, como ele nunca saiu nos EUA. Uma raridade entre os jogos da época que, quando saíam no ocidente, costumavam ser lançados nos EUA e não na Europa, e não o contrário. Algo que acrescentou à sua mística particular.
A isso cabe somar outro problema que o jogo teve: o desaparecimento de seu criador. Embora tenha havido conversas para trazê-lo de volta, seu designer e diretor, Tomoyoshi Miyazaki, está desaparecido há muitos anos, em paradeiro desconhecido. E, sendo ele o detentor dos direitos do jogo, isso impediu qualquer tipo de reedição, remake ou remaster.
Embora não saibamos como este novo remaster foi possível, parece que isso foi resolvido. Mas a mística ainda existe. O jogo continua sendo excelente. Por isso tanto rebuliço. Terranigma continua sendo um jogo pelo qual as pessoas seguem tendo um imenso carinho, nós que o jogamos em seu momento, e pelo qual têm um respeito infinito, aqueles que o consideram uma espécie de objeto que nunca puderam possuir. Daí que seja lógico esse recebimento tão acalorado quanto o que está tendo. Embora ainda tenhamos que esperar por seu relançamento para comprovar se ele segue merecendo toda essa paixão.