Christopher Barrett, ex-diretor da Bungie, chegou a um acordo com a própria Bungie e com a Sony Interactive Entertainment para encerrar o processo que abriu depois de sua demissão, em 2024, segundo documentos judiciais. Os termos completos desse acerto não vieram a público, então o valor que de fato foi pago, se houve pagamento direto, segue em sigilo.
Na ação, Barrett pedia até 200 milhões de dólares, de acordo com o processo. O caso acabou virando um dos episódios mais sensíveis da crise recente da Bungie, estúdio por trás de Destiny e Marathon.
Nos autos, Barrett, que passou 25 anos na Bungie, dizia que a empresa e a Sony Interactive Entertainment usaram sua demissão de forma calculada para evitar o pagamento de dezenas de milhões de dólares em ações já adquiridas e bônus atrelados à compra da Bungie pela Sony, negócio anunciado por 3,6 bilhões de dólares. No mesmo processo, ele também afirmava ter sido transformado em bode expiatório para problemas maiores, ligados tanto aos negócios quanto à reputação da companhia.
Já a versão pública da Sony Interactive Entertainment e da Bungie era outra. As duas sustentavam que Barrett foi demitido por justa causa, depois de uma investigação interna sobre suposto comportamento inadequado com funcionárias da empresa. Com o acordo, o litígio é encerrado sem que essas alegações tenham sido levadas até o fim em tribunal.
Depois do desfecho, Barrett disse estar “muito satisfeito” com o acordo e afirmou que o encerramento do caso permite que ele foque na próxima fase de sua carreira na indústria de games. Mesmo com a resolução mantida em caráter confidencial, houve também um gesto público relevante: em um comunicado conjunto, Bungie e Sony reconheceram as contribuições de Barrett ao longo de seus 25 anos no estúdio, e o nome dele foi incluído nos créditos de Marathon como diretor original do jogo.
Esse ponto chama atenção. Barrett era uma das figuras criativas mais conhecidas da Bungie, com participação importante em franquias e projetos que ajudaram a moldar a identidade do estúdio ao longo de décadas.
O acordo sai num momento especialmente conturbado para a Bungie. Nos últimos dois anos, o estúdio enfrentou grandes rodadas de demissões, em 2023 e 2024, e continua cercado por incertezas sobre o futuro das equipes ligadas a Destiny e Marathon.
Os números divulgados pela Sony mostram bem esse cenário de pressão: no ano fiscal de 2025, a empresa registrou uma perda por impairment de 766 milhões de dólares relacionada à Bungie, refletindo um desempenho abaixo do esperado para Destiny 2 e Marathon. Para quem acompanha a indústria, o fim do processo resolve uma frente jurídica importante, mas não apaga as dúvidas sobre a estabilidade operacional e criativa do estúdio. Por enquanto, o caso deixa as manchetes do Judiciário, mas o valor real do acordo, e o que ele de fato sinaliza nos bastidores, continua fora do alcance do público.