A Xiaomi apresentou hoje, na China, a linha de SUVs Sky Nomad. Trata-se de uma nova submarca que, no mercado chinês, será vendida como Xiaomi Pengcheng e passará a compor o segundo portfólio de veículos da empresa, depois da família Xiaomi SU7/YU7. Na prática, é um passo para levar a marca além dos elétricos mais associados a desempenho.
O movimento tem bastante peso dentro da estratégia da empresa, e há um motivo simples para isso: a Xiaomi também precisa ganhar velocidade nas entregas se quiser sustentar a meta de 550 mil veículos em 2026. No primeiro semestre, foram cerca de 185 mil unidades, segundo números da própria companhia. Isso deixa a segunda metade do ano com uma pressão bem clara, algo perto de 60 mil carros por mês.
Até agora, Lei Jun, CEO da Xiaomi, vinha tratando os modelos Xiaomi SU7 e Xiaomi YU7 como “carros de motorista”, com ênfase na condução e num apelo mais emocional. A Sky Nomad vai por outro caminho. O alvo é o segmento familiar, com a ideia de transformar o carro num espaço de convivência sobre rodas, útil para trabalho, lazer e viagens em família.
A Xiaomi, com essa nova frente, entra direto numa das faixas mais disputadas do mercado chinês. Os SUVs grandes e versáteis vêm avançando, sobretudo entre compradores que colocam conforto, autonomia e flexibilidade do espaço interno no topo da lista.
O primeiro modelo dessa linha é o projeto conhecido internamente como Kunlun N3, que deve chegar ao mercado com o nome N90. De acordo com relatos da imprensa chinesa, ele terá mais de 5,3 metros de comprimento e entre-eixos de 3,1 metros, além de versões com cinco e sete lugares.
A base técnica também será novidade. Chamada de Xiaomi Kunlun, essa arquitetura teria começado a ser desenvolvida do zero no início de 2023, segundo registros e vazamentos citados pela imprensa chinesa. A promessa é de piso totalmente plano e trilhos longos para os bancos, o que abre espaço para diferentes arranjos de cabine. Entre os itens mencionados nesses registros e vazamentos aparecem LiDAR no teto, estribos elétricos e até barraca de teto em algumas versões de sete lugares. Tudo isso reforça a proposta de camping e uso ao ar livre.
Aqui também está uma mudança importante em relação aos modelos anteriores da marca, que eram totalmente elétricos. Segundo relatos da imprensa chinesa, o N90 deve usar um sistema EREV, de autonomia estendida. Na prática, funciona com um motor 1.5 turbo atuando apenas como gerador de energia, sem tração direta nas rodas, em conjunto com uma bateria de mais de 70 kWh.
Ainda segundo a imprensa chinesa, a autonomia estimada ficaria entre 400 e 500 km no modo puramente elétrico, passando de 1.500 km no total. Isso coloca o SUV frente a frente com modelos como o Li Auto L9 e o Aito M9, dois dos nomes mais fortes dessa categoria na China. O preço final ainda não foi confirmado, mas relatos locais falam numa faixa inicial em torno de 200 mil yuans, cerca de 29,4 mil dólares. Se esse valor se confirmar, a Xiaomi entrará abaixo de concorrentes como Li Auto L9 e Aito M9, ambos acima de 250 mil yuans.
A entrada nesse segmento só ficou viável depois da aprovação, em 10 de junho, do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China para que a Xiaomi fabrique veículos de autonomia estendida em sua planta de Pequim. Era a última barreira regulatória para uma marca que, até então, produzia apenas elétricos a bateria. E há também a conta financeira por trás dessa aposta: a divisão automotiva registrou prejuízo operacional de 3,1 bilhões de yuans no primeiro trimestre de 2026, segundo o balanço da própria Xiaomi. Isso equivale a uma perda de cerca de 5,6 mil dólares por carro vendido. Um SUV familiar de maior volume pode ser o empurrão que estava faltando.