Relatos mais recentes da imprensa internacional sobre a divisão de games da Microsoft apontam que a id Software pode ter perdido perto de 50% da equipe nas demissões da Xbox, algo na faixa de 90 a 95 pessoas. Essas reportagens dizem que o corte faz parte de um movimento maior, chamado internamente de “Xbox reset”, que deve eliminar cerca de 3.200 empregos no total.
A primeira leva, de acordo com esses mesmos relatos, já teria atingido por volta de 1.600 vagas.
A notícia de que a id Software aparece entre as equipes mais atingidas acendeu o sinal de alerta entre fãs e gente da indústria.
E não é por pouco. A id Software não é só mais um estúdio no portfólio: é um nome central na história dos jogos de tiro em primeira pessoa e ainda responde pelo id Tech, a tecnologia que sustenta uma fatia importante do catálogo da Bethesda. O peso dessa história deixa tudo maior. Também chama atenção o momento em que os desligamentos teriam acontecido, ainda segundo as reportagens, em pleno lançamento de conteúdo novo de DOOM: The Dark Ages. Para quem trabalha lá, e para quem acompanha de fora, isso torna o quadro ainda mais duro, principalmente porque a marca continua ativa, visível e em circulação.
Um memorando interno citado por esses veículos afirma que a liderança da Xbox avaliou que o negócio de games da Microsoft “não estava saudável”.
Entre as razões mencionadas nas reportagens estariam margens abaixo das registradas pelos concorrentes e um crescimento do Game Pass aquém do que a empresa esperava. A reação da Microsoft, nesse cenário, seria uma reestruturação pesada: menos camadas de gestão, em alguns casos saindo de até 14 níveis para cinco ou menos, além da separação ou venda de certos estúdios e de uma concentração mais clara de investimento nas franquias com maior força comercial.
Dentro dessa nova lógica, a Bethesda estaria sendo reorganizada, conforme os relatos publicados pela imprensa internacional, em torno de séries tratadas como centrais, caso de Fallout, The Elder Scrolls, Wolfenstein, DOOM e Quake.
Mas a preocupação não passa só pelo número bruto de demissões. O ponto é quem saiu. Comentários de pessoas próximas ao caso indicam que muitos programadores teriam sido afetados, e isso abre uma série de dúvidas sobre perda de conhecimento acumulado e sobre a capacidade da id Software de tocar projetos atuais e futuros no mesmo ritmo. No caso do id Tech, a preocupação pesa ainda mais, já que essa tecnologia sempre esteve muito ligada à identidade da própria id Software.
Com menos engenheiros e especialistas veteranos, fica no ar a incerteza sobre suporte de longo prazo, avanço técnico e estabilidade do pipeline de desenvolvimento. As demissões também puxaram críticas de desenvolvedores, ex-membros da id Software e analistas do setor. Ao mesmo tempo, a Communications Workers of America disse que vai continuar pressionando por proteção aos trabalhadores afetados, mesmo depois dos compromissos de neutralidade trabalhista assumidos pela Microsoft nos últimos anos.
Ainda não dá para cravar esse cenário sem comunicados oficiais da Microsoft. Mesmo assim, o quadro desenhado por essas reportagens da imprensa internacional aponta para uma mudança funda na forma como a Xbox quer equilibrar corte de custos com a manutenção de estúdios capazes de sustentar suas franquias mais importantes. Isso mexe não só com o futuro de DOOM, mas com um dos nomes mais influentes da história dos games. E você, arrisca algum palpite?