Até julho de 2026, Mike Flanagan e o próprio Stephen King não fizeram nenhum anúncio oficial sobre uma adaptação de Insônia, romance lançado por King em 1994. Ainda assim, o livro começou a voltar ao centro das conversas entre fãs e críticos, cada vez mais visto como um projeto que combina muito com o diretor, sobretudo agora que Flanagan está envolvido com uma minissérie de Carrie para o Prime Video.
Só convém não misturar desejo com fato. A especulação, por outro lado, não surgiu do nada: ela faz sentido porque o cineasta está mesmo ligado à nova versão de Carrie para o Prime Video e porque Insônia, publicado em 1994, reúne várias peças que têm muito a ver com o tipo de história que ele costuma contar.
No romance, acompanhamos Ralph Roberts, um viúvo aposentado que mora em Derry, no Maine. Conforme a insônia piora, Ralph começa a ver auras em volta das pessoas e percebe uma camada oculta da realidade que sempre esteve ali. A partir daí, ele acaba puxado para o meio de uma disputa cósmica entre “The Purpose” e “The Random”.
É essa combinação que faz Insônia parecer quase feito para Mike Flanagan. A história junta drama de personagem, horror metafísico, fantasia épica e até um certo eco lovecraftiano. Ao longo da carreira, Flanagan construiu a reputação de alguém capaz de segurar emoções muito humanas enquanto lida com ideias sobrenaturais bem mais complexas, coisa que já apareceu em projetos como A Maldição da Residência Hill, Missa da Meia-Noite e nas adaptações que ele dirigiu a partir da obra de Stephen King.
Tem mais: Insônia se conecta de forma muito forte à mitologia de A Torre Negra. Entre os livros de King, ele está entre os que mais diretamente conversam com esse universo e ainda traz o Rei Rubro, figura importante dentro do imaginário expandido do autor.
E isso pesa. Mike Flanagan nunca escondeu o quanto gosta de A Torre Negra, um projeto que ele já chamou de seu “Santo Graal” em entrevistas. O diretor também disse ter escrito roteiros para uma adaptação pensada em cinco temporadas. Adaptar Insônia, portanto, não seria só levar mais um livro de Stephen King para a tela. Seria também abrir caminho para uma mitologia que Flanagan quer explorar faz anos.
Apesar de ter sido um grande best-seller, Insônia nunca ganhou versão para cinema ou TV. Motivo não falta: o livro tem quase 800 páginas, trabalha com protagonistas idosos, depende de imagens bastante surreais, como os “pequenos médicos carecas”, e ainda se liga de forma direta à parte mais densa da lore de A Torre Negra.
Só que é justamente esse pacote todo que ajuda a explicar por que Mike Flanagan aparece como um nome tão forte para a adaptação. Ele já levou para as telas materiais que muita gente tratava como difíceis, caso de Jogo Perigoso (Gerald’s Game, 2017), Doutor Sono (2019) e A Vida de Chuck (2024), transformando obras complicadas em narrativas acessíveis sem abandonar a essência de Stephen King.
Antes de qualquer anúncio novo, o próximo movimento concreto da parceria entre Mike Flanagan e Stephen King segue sendo Carrie. Segundo o Prime Video, a minissérie de oito episódios deve chegar no outono de 2026, e as primeiras imagens divulgadas pelo serviço em meados de julho apontam para uma releitura modernizada da história clássica. Então não dá para confirmar uma adaptação de Insônia enquanto a equipe de Mike Flanagan não publicar comunicados oficiais. Dito isso, poucos diretores hoje parecem tão prontos para encarar esse desafio. E você, arrisca algum palpite?